Que me perdoem os céticos da IA , mas a essa altura não dá mais para negar que os programas sejam capazes de criar soluções originais para problemas complexos e que o fazem através da força bruta probabilística e estatística, em princípio sem nenhuma consideração para com a dimensão estética.
A pergunta que proponho é se um dia fez sentido associar matemática a beleza. Não me entendam mal, também prefiro a elegantérrima prova de Euclides sobre a infinidade dos números primos a qualquer método fascista, mas será que matemáticos mais idealistas não avançaram o sinal quando começaram a propor que a beleza de uma demonstração fosse também um critério de verdade? O fato de termos nos acostumado a associar os dois elementos provavelmente não passa de um viés de sobrevivência. Como até aqui os matemáticos privilegiaram a produção de provas que julgavam belas, ficamos com a sensação de que as duas coisas andam juntas, mas é perfeitamente possível que haja por aí um número muito maior de verdades matemáticas assustadoramente feias. Há alguns teoremas matemáticos e mesmo modelos da física fortemente sugestivos disso. A elegante supersimetria não desbancou o desengonçado modelo-padrão da física de partículas.