O trabalho acontece em Caracaraí, no interior do estado, onde Samuel coordena a assistência farmacêutica e atua na Unidade Básica de Saúde (UBS) Manoel Luiz Rodrigues. A tecnologia identifica doses inadequadas e combinações de remédios que podem representar riscos à saúde.
Desde março de 2025, quando o município aderiu ao programa, mais de 25 mil prescrições médicas foram analisadas pelo sistema. Desse total, 11.600 receberam uma avaliação mais cuidadosa, segundo informações apresentadas pelo profissional à Folha de S.Paulo .
As intervenções representam situações em que foi necessário rever a conduta clínica para reduzir possíveis danos. O número, porém, não significa que 600 pacientes tiveram a vida comprovadamente salva ou que 600 tratamentos distintos foram corrigidos.
A ferramenta utilizada pelo farmacêutico se chama NoHarm . Desenvolvida no Brasil, ela analisa informações dos prontuários eletrônicos e identifica possíveis problemas relacionados aos medicamentos prescritos.
Entre os casos encontrados por Samuel estavam doses incorretas de antialérgicos e antiparasitários destinados a crianças. Segundo ele, alguns medicamentos acabavam antes do período recomendado, comprometendo o tratamento.
Com a plataforma, os profissionais conseguem verificar possíveis incompatibilidades e avaliar a necessidade de ajustes. A decisão clínica permanece com a equipe de saúde , responsável por analisar os avisos e definir a conduta adequada.
O sistema também agiliza a consulta a informações sobre medicamentos. De acordo com Samuel, dúvidas que poderiam exigir mais de uma hora de pesquisa em bulas agora recebem respostas da ferramenta em segundos.
A NoHarm chegou a Caracaraí por meio do programa Juntos pela Saúde, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com apoio da organização Umane.
Segundo a Umane, a tecnologia está presente em municípios do Norte e Nordeste e analisou mais de 415 mil prescrições em 2025 , considerando a atuação do projeto nas localidades atendidas.
Em Roraima, a implantação exigiu adaptações. Como a região enfrenta dificuldades de conectividade, a unidade recebeu novos equipamentos de informática, internet via satélite e placas solares para permitir o funcionamento do sistema.
Além de contribuir para a revisão de receitas, a ferramenta tem valorizado o trabalho dos farmacêuticos. Samuel explicou à Folha que o atendimento vai além da entrega dos medicamentos, pois envolve orientar pacientes e identificar riscos que podem passar despercebidos.
O profissional também destacou que a tecnologia não substitui o contato humano, especialmente quando o paciente precisa esclarecer dúvidas sobre o uso correto dos remédios.
Na prática, a experiência de Caracaraí mostra como a IA na saúde pode ajudar a prevenir problemas antes que os medicamentos sejam utilizados . Para os pacientes do SUS, o benefício está na possibilidade de uma revisão mais cuidadosa das receitas, acompanhada da orientação dos profissionais responsáveis pelo tratamento.
IA na saúde ajuda farmacêutico a corrigir 600 tratamentos e proteger pacientes no SUS
O trabalho acontece em Caracaraí, no interior do estado, onde Samuel coordena a assistência farmacêutica e atua na Unidade Básica de Saúde (UBS) Manoel Luiz Rodrigues. A tecnologia identifica doses inadequadas e combinações de remédios que