IA identifica medicamentos comuns como possíveis remédios para parto prematuro

A combinação envolve a aspirina , utilizada em diferentes tratamentos médicos, e o lansoprazol , indicado para problemas relacionados à acidez do estômago. Embora tenham finalidades distintas, os dois apresentaram um efeito conjunto promiss

Por Admin ·

IA identifica medicamentos comuns como possíveis remédios para parto prematuro

A combinação envolve a aspirina , utilizada em diferentes tratamentos médicos, e o lansoprazol , indicado para problemas relacionados à acidez do estômago. Embora tenham finalidades distintas, os dois apresentaram um efeito conjunto promissor na investigação .

Nas simulações realizadas pelos pesquisadores, a associação teve um efeito previsto 15 vezes maior no adiamento do parto em comparação com a aspirina isolada. O resultado também foi acompanhado por experimentos em animais, nos quais os cientistas observaram um atraso no início do trabalho de parto.

O estudo foi publicado nesta quarta-feira (21/10) na revista científica Science Advances . Apesar dos resultados positivos, a eficácia da combinação ainda precisa ser comprovada em gestantes, e os pesquisadores já receberam autorização para avançar com testes clínicos.

A descoberta começou com uma investigação sobre o comportamento do sistema imunológico durante a gravidez. Ao longo da gestação, o organismo materno passa por mudanças que ajudam a proteger o bebê e, posteriormente, a preparar o corpo para o nascimento.

Quando determinadas respostas inflamatórias são ativadas antes do momento adequado, elas podem contribuir para o início antecipado do trabalho de parto. Os cientistas buscaram identificar medicamentos capazes de interferir nesse processo.

Para isso, desenvolveram um sistema chamado SIMCO , que utiliza inteligência artificial para criar representações digitais das respostas imunológicas de gestantes. A tecnologia foi treinada com informações de aproximadamente 250 milhões de células e dados de 63 gestações.

Com o modelo, a equipe avaliou nove esquemas de tratamento, comparando os possíveis efeitos de diferentes substâncias. A associação entre aspirina e lansoprazol se destacou por apresentar uma ação conjunta sobre mecanismos imunológicos relacionados ao nascimento.

A aspirina já havia apresentado resultados favoráveis em outras pesquisas . Um estudo publicado na revista The Lancet , em 2020, acompanhou gestantes de primeira viagem e identificou uma redução na frequência de partos prematuros entre aquelas que receberam doses baixas do medicamento.

Na investigação, 11,6% das participantes que utilizaram aspirina tiveram seus bebês antes de 37 semanas de gestação. Entre aquelas que receberam placebo, o percentual foi de 13,1%.

Uma revisão científica publicada em maio de 2026 também identificou evidências de benefícios preventivos em determinados grupos. Entretanto, os autores ressaltaram que ainda existem limitações para estabelecer a eficácia da aspirina contra diferentes causas de nascimento prematuro.

A novidade da pesquisa de Stanford está justamente na associação com o lansoprazol, que pode apresentar efeitos diferentes daqueles observados com cada medicamento isoladamente.

A próxima etapa será avaliar se os resultados experimentais também aparecem em seres humanos. A equipe recebeu autorização da Food and Drug Administration (FDA) , agência reguladora dos Estados Unidos, para investigar a combinação em um ensaio clínico.

Os testes deverão ajudar a determinar se o tratamento realmente reduz a ocorrência de partos prematuros e se apresenta segurança para as gestantes e os bebês.

Por enquanto, não existe comprovação clínica de que a associação possa ser utilizada para prevenir nascimentos antecipados. Portanto, os possíveis remédios para parto prematuro identificados pela inteligência artificial ainda dependem de novos resultados, e seu uso conjunto não deve ser iniciado sem orientação médica.