IA está transformando deficiência em mercadoria sexual

Imagens que remetem a pessoas com síndrome de Down e outras deficiências em conteúdos sensuais e também pornográficos estão se espalhando pelas redes sociais e em sites adultos. Quem está por trás da produção tenta explorar estereótipos de ingenuidade, submiss

Por Admin ·

IA está transformando deficiência em mercadoria sexual

A questão deixa de ser apenas o uso de traços e formas características do grupo para motivar desejos, taras e fetiches que podem ser descolados da realidade. Com isso, produções que deveriam ser artificiais acabam por expor pessoas reais.

Essas representações têm potencial de alimentar abordagens invasivas e podem gerar expectativa de que pessoas com determinadas características estejam disponíveis para realizar fantasias. Não tenho conhecimento de relatos que levem a isso, mas o alerta tem sido feito por famílias e associações.

É certo também que a sexualidade de pessoas com deficiência , principalmente as intelectuais e as mais limitadoras, é cercada de tabus e desconhecimentos. Adultos são infantilizados e há casos de quem nunca tenha tido uma conversa relativa a corpos, hormônios, desejos, disponibilidade, autoproteção e autocuidado.

Quando o próprio indivíduo, dentro de suas condições, não é minimamente ciente –vou usar protegido também para corações mais sensíveis— a respeito de sexo, a vulnerabilidade escala e a ameaça criada por uma sub-representação feita por robôs acelera o perigo. Denunciar um abuso, então, pode ser algo inviável ou desconhecido.

Não se trata de anular ou domesticar a sexualidade de ninguém. Há diversos exemplos de jovens com síndrome de Down, atualmente, que namoram, casam, paqueram, se lançam ao romance e à vida do rala e rola.