Houthis matam 2 em aeroporto durante ataques à Arábia Saudita

Os rebeldes houthis do Iêmen voltaram a promover uma onda de ataques contra a Arábia Saudita , reino que apoia o governo expulso por eles do controle do oeste do país árabe em 2014. Ao menos duas pessoas morreram em um novo ataque a aeropor

Por Admin ·

Houthis matam 2 em aeroporto durante ataques à Arábia Saudita

Os rebeldes houthis do Iêmen voltaram a promover uma onda de ataques contra a Arábia Saudita , reino que apoia o governo expulso por eles do controle do oeste do país árabe em 2014. Ao menos duas pessoas morreram em um novo ataque a aeroporto.

A ação evocou o mais mortífero e traumatizante episódio da renovada guerra na Península Arábica para os sauditas, o bombardeio do aeroporto de Riad, há quase duas semanas. Nela, 12 pessoas morreram, 309 ficaram feridas e o terminal só reabriu para operações limitadas após cinco dias.

Nesta quinta-feira (22), o alvo foi o aeroporto de Dammam, maior cidade da costa saudita no Golfo Pérsico. Drones atingiram o local, que ficou fechado por algumas horas. Um dos mortos foi identificado como indiano. O preço do barril referência de contratos futuros de petróleo, o Brent, subiu 3% e chegou ao maior valor desde maio.

Segundo o comando dos houthis, que são apoiados e armados pelo Irã , houve também ataques à sede da estatal petrolífera Aramco e ao terminal de exportação da empresa em Yanbu, no mar Vermelho. Além disso, os rebeldes disseram ter alvejado o Ministério da Defesa, em Riad.

Só há confirmação, por meio de relatos de testemunhas a agências de notícias, de que a sede da Aramco, em Dhahran, foi evacuada às pressas durante o dia. Como a opacidade informativa é norma na Arábia Saudita, mas os houthis também gostam de exagerar seus feitos, é preciso ainda esperar confirmações.

A guerra civil no Iêmen foi retomada com força neste ano, após ter passado quatro anos congelada. O gatilho foi a guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, que levou inicialmente os houthis a lançar ataques pontuais contra o Estado judeu.

A situação escalou em julho, quando as forças do governo reconhecido internacionalmente e sauditas promoveram um bloqueio ao aeroporto da capital ocupada, Sanaa.

A partir daí, os rebeldes decretaram um bloqueio meio ineficaz contra Yanbu, ponto de saída do petróleo de Riad para driblar a obstrução do estreito de Hormuz .

Com ataques aqui e ali, sem fechar completamente para os petroleiros sauditas o estreito de Bab el-Mandeb, equivalente a Hormuz no sul do mar Vermelho, os houthis enfim promoveram uma grande ofensiva em setembro.

Conquistaram cidades importantes na costa do mar Vermelho e ameaçaram as posições do governo no sul do país. Os sauditas vieram em auxílio aos aliados com bombardeios intensos contra os houthis, apoiando uma contraofensiva.

A situação em campo ficou fluida, mas os houthis também aumentaram seus ataques contra instalações civis e petrolíferas da Arábia Saudita. Dono do sétimo orçamento militar do mundo e com uma frota poderosa de caças e aviões de ataque, o reino não estava preparado para lidar com os mísseis e drones houthis.

O resultado foi a disrupção no tráfego aéreo do país e interrupções no fluxo de petróleo, que passa todo por um grande oleoduto dos campos no Golfo para Yanbu.

A vulnerabilidade de Riad ficou clara, atrapalhando os planos de expansão política do príncipe herdeiro Mohammad bin Salman, o MbS. Vieram em seu socorro os novos parceiros do pacto militar Acordo de Meca, Paquistão e Turquia, além de franceses e britânicos, que anunciaram reforço com baterias antiaéreas e caças, respectivamente.

A crescente presença estrangeira poderá coibir a eficácia dos ataques houthis, mas não há nenhuma previsão de que as forças não sauditas participem de ações ofensivas contra os rebeldes.