Alceu Rafael Mischiatti Lourenção foi preso em flagrante após os policiais encontrarem material de abuso sexual infantil armazenado em seu celular. Ele também passa a ser investigado sob suspeita de estupro de vulnerável e de produzir uma gravação da violência contra a criança.
A Folha não localizou o defensor do suspeito. Segundo policiais ouvidos, nenhum advogado o defendia até a tarde desta quarta, quando era feito o registro do flagrante.
Policiais da 4ª Delegacia de Repressão à Pedofilia, do DHPP (Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa), cumpriram um mandado de busca e apreensão no apartamento do investigado, em um condomínio de alto padrão na Mooca, na zona leste da capital.
No imóvel, conforme a Folha apurou, os agentes encontraram o mesmo ambiente que aparece no vídeo do crime contra a criança, inclusive o videogame e os óculos de realidade virtual —isso reforça, segundo investigadores, a suspeita de que o vídeo tenha sido produzido no local.
A criança, que teria cerca de oito anos, aparece usando o equipamento durante o abuso. A polícia trabalha com a hipótese de que o próprio Lourenção possa ter feito a gravação. A data do registro do crime está sendo investigada.
A investigação começou após a plataforma Yahoo comunicar à Polícia Federal a identificação de um vídeo de abuso sexual infantil associado a uma conta. A comunicação apontava a possibilidade de o material ter sido produzido pelo próprio responsável pela conta.
A PF encaminhou as informações à Polícia Civil paulista por meio de um acordo de cooperação. A partir da comunicação, recebida em junho, os investigadores identificaram Lourenção e reuniram indícios de armazenamento de arquivos, além da suspeita de produção do vídeo.
A identidada da criança deve ser confirmada ainda nesta quarta pela Polícia Civil nesta quarta. Segundo a apuração, ela frequentava o apartamento do investigado.
Durante a busca, os agentes apreenderam dois celulares, três pendrives, um notebook e os óculos de realidade virtual. Os equipamentos passarão por análise especializada para verificar se existem outros registros produzidos pelo suspeito e elementos que permitam identificar eventuais outras vítimas.
Até o momento, a polícia identificou uma vítima relacionada ao vídeo investigado. Agora quer saber se no material armazenado há outros possíveis vídeos produzidos por ele.
Segundo policiais, Lourenção é recém-aposentado do TRT-2 (Tribunal Regional do Trabalho), em São Paulo, onde trabalhava como técnico judiciário da área administrativa.
Em uma publicação no Facebook atribuída a Lourenção, ele criticou uma proposta legislativa que chamou de "PDL da pedofilia" e atacou apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). "O PDL da pedofilia quase aprovado com a total participação da base bostanarista", escreveu, segundo reprodução da postagem à qual a reportagem teve acesso. "Um retrocesso de 500 anos."