Uma investigação criminal no sul da França pôs em lados opostos dois nomes que são marcas da cultura europeia e da França, mesmo que um deles tenha nascido na Espanha. Uma denúncia da apresentada pela família Picasso fez o tribunal de Aix-en-Provence determinar uma investigação do Ateliers Hugo, fundado e geridos por descendentes de Victor Hugo, o maior nome do romantismo francês, autor de "Os miseráveis" e "O corcunda de Notre-Dame".
No centro do caso estão pratos de prata e medalhões de ouro atribuídos a Pablo Picasso e produzidos sob licença pelo ateliê. No dia 10 de março, Paloma Ruiz-Picasso apresentou, em nome dos nove herdeiros do artista espanhol que desenvolveu a maior e mais importante parte de sua obras na Franca, uma denúncia de fraude, falsificação e reprodução não autorizada contra os Hugo.
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Além disso, a família publicou um alerta na Gazette Drouot sob o título “Objetos de prata Hugo”, alertando profissionais do mercado de arte e compradores de que foram descobertos um grande número de peças ilegítimas, avaliadas em milhões de euros.
A denúncia é de que os moldes das obras do artista espanhol foram reutilizados para a fabricação de peças de prata e ouro não autorizadas. Surgiram duplicatas, algumas com a mesma numeração repetida três vezes, e exemplares sem numeração, como é usual neste tipo de produção.
A administração do espólio de Picasso teria identificado pelo menos 17 coleções suspeitas, completas ou quase completas, com centenas de peças.
O Ateliers Hugo é uma oficina de ourivesaria em Aix-en-Provence fundada em 1933 por François Hugo, bisneto de Victor Hugo. Entre 1947 e 1955, quando Picasso fazia cerâmicas em Vallauris, encomendou a François a reprodução de desenhos semelhantes em pratos e travessas de metal nobre, utilizando a técnica de repoussé (trabalho em relevo feito por marteladas). O ateliê adaptou depois algumas dessas obras para a criação de medalhões e brincos.
Picasso não foi o único grande nome da arte a trabalhar em associação com o ateliê. Com a colaboração do irmão, o pintor Jean Hugo, François também produziu joias desenhadas por artistas como Salvador Dalí, Max Ernst, Andre Derain, e Jean Dubuffet. Em 1975, o ateliê passou para as mãos de seu filho, Pierre; mais tarde, foi a vez de Nicolas, filho de Pierre, nascido em 1989, assumi-lo.
Ao site Artlyst, Nicolas Hugo afirma que não foi ouvido e desconhece o teor da denúncia. Ele argumenta que qualquer processo criminal só poderia dizer respeito ao período de seu pai e de seu avô, o que estaria sujeito à prescrição.
O primeiro sinal de alerta para a família Picasso surgiu em maio de 2023: o espólio foi informado de dúvidas sobre pratos que haviam sido comprados na Sotheby’s, em Londres. O catálogo de um leilão de 13 de outubro de 2021 descrevia um conjunto de 24 pratos de prata assinados pelo criador do cubismo, além de uma prova não numerada de "Visage aux mains", acompanhados por um certificado de autenticidade emitido por Pierre Hugo. O lote foi arrematado por 1,4 milhão de libras esterlinas.
O The Art Newspaper informou que, nos documentos judiciais, o vendedor é identificado como o negociante britânico Mark Maurice, da galeria Masterpiece, que não funciona mais. Maurice teria apresentado documentos indicando que encomendou um conjunto de pratos e outro de medalhões aos Ateliers Hugo entre 2017 e 2020. Outros pratos e medalhões reproduzidos sem autorização atribuídos ao ateliê foram descobertos em uma exposição e um leilão subsequentes.
Herdeiros de Picasso e do autor de
Uma investigação criminal no sul da França pôs em lados opostos dois nomes que são marcas da cultura europeia e da França, mesmo que um deles tenha nascido na Espanha. Uma denúncia da apresentada pela família Picasso fez o tribunal de Aix-e