Hacker chinês usa IA para espionar governos na América Latina, diz relatório

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Por Admin ·

Hacker chinês usa IA para espionar governos na América Latina, diz relatório

Um grupo de espionagem ligado à China teria usado agentes de inteligência artificial para ter acesso a dados de autoridades diplomáticas de dois países da América Latina, e provavelmente de um terceiro. A série de ataques mirou mais de 200 organizações em pelo menos 14 países, segundo a empresa de cibersegurança CrowdStrike, dos EUA. O relatório foi divulgado na quinta-feira (29), e a empresa não identificou os países afetados.

O texto descreve também que o grupo deixou preparados planos contra os ministérios das Relações Exteriores da Ásia e da América Central. Embora o documento não mencione, a região abriga aliados de Taiwan, como Guatemala e Belize. Em 12 de outubro, Pequim aplicou sanções contra o chanceler de Belize e o ministro de Tecnologias da Informação e Comunicação do Paraguai, por seus laços com Taipé, e disse que a punição servia de alerta a outros.

A ofensiva começou em 17 de outubro e durou 11 dias. Os alvos incluíam, além de ministérios na Europa e no Oriente Médio, empresas de semicondutores e de defesa dos EUA. Num único país europeu, os invasores miraram a Presidência e o gabinete do primeiro-ministro.

O grupo, que a empresa chama de "Vapor Panda", atua desde 2021, mas é a primeira vez que a CrowdStrike o flagra usando IA. Desta vez recorreu ao ARTEX, programa de código aberto lançado neste ano por um desenvolvedor chinês para testar a segurança de redes, operado principalmente com o modelo DeepSeek. O autor fechou o código em 8 de outubro, após constatar uso malicioso e os ataques começaram nove dias depois.

Na prática, o ARTEX transforma o trabalho de uma equipe de hackers numa linha de montagem, em que agentes de IA atacam vários alvos ao mesmo tempo e um operador humano dá ordens em chinês nas decisões-chave. Um invasor humano costuma executar até 40 comandos por hora, e com a ferramenta esse ritmo pode passar de 1.500, segundo a empresa de cibersegurança.

A Microsoft relatou em outubro que outro grupo alinhado a Pequim usou o mesmo programa contra centenas de organizações. Dias antes, o governo chinês havia proposto incluir agentes de IA na lista de tecnologias com exportação restrita, por razões de segurança nacional.

Por que importa: Pequim trata agentes de IA como tecnologia sensível quando o assunto é exportação, mas ferramentas desse tipo já circulavam em código aberto e chegaram às mãos de grupos ligados ao próprio Estado chinês.

Para a América Latina, o risco está na escala dos ataques. Com agentes automatizados, invadir mais uma chancelaria passa a custar quase nada. Ministérios da região com equipes de TI enxutas tornam-se alvos para quem busca antecipar posições sobre Taiwan ou acordos de mineração. O resultado pode ser a expansão da espionagem em escala industrial contra governos com defesas digitais modestas.

Página do "Tianshu" (Livro do Céu), obra de Xu Bing. Produzidos entre 1987 e 1991, os livros impressos à mão e rolos de papel com tipos móveis de madeira entalhados pelo artista contêm mais de 4.000 caracteres inventados. Xu Bing é um dos nomes centrais da arte contemporânea chinesa e voltou a Pequim em 2008 para lecionar na Academia Central de Belas Artes, onde se formou. Seu trabalho foca especialmente a crítica da manipulação pela linguagem. Saiba mais sobre a obra aqui .

★ Adido agrícola do Brasil em Pequim pediu mais controle de resíduos na carne bovina. A alfândega chinesa emitiu 320 notificações a exportadores brasileiros do produto entre janeiro e agosto, contra 167 no mesmo período de 2025. Nem todas tratam de resíduos, mas o principal problema é o fluazuron, remédio contra carrapato usado no gado. No dia 22, Pequim suspendeu as compras de uma unidade da MBRF em Promissão (SP), pelo mesmo produto. O aperto se soma à cota chinesa , esgotada em setembro. Desde outubro, toda carne brasileira que chega à China paga sobretaxa de 55%, além da tarifa normal de 12%.

★ Pequim chamou de "fantasiosa" reportagem do New York Times sobre espionagem chinesa na indústria de chips. Segundo o jornal, a inteligência americana concluiu que Alice Huang, ex-executiva da Megaspeed, empresa de data centers de Singapura, repassava informações ao governo chinês. Ela teria cultivado uma relação próxima com Jensen Huang, CEO da Nvidia, com quem não tem parentesco. Washington suspeita que a Megaspeed, que comprou bilhões de dólares em chips da Nvidia, ajude a China a driblar o veto americano aos semicondutores mais avançados. Trump foi informado há cerca de um ano e não agiu, disse o jornal. A Nvidia afirma que os encontros foram rotina comercial.

★ Entrou em vigor a versão atualizada do acordo de livre comércio entre China e Peru. É o primeiro tratado amplo do gênero que Pequim firmou com um país latino-americano. O protocolo, assinado em novembro de 2024, revisa sete capítulos do acordo original, de 2009 e cria outros cinco, entre eles comércio eletrônico e cadeias de suprimento. Não há nova rodada geral de corte de tarifas, mas o capítulo de cadeias de suprimento deve estimular corredores logísticos, o que interessa ao porto de Chancay controlado pela chinesa Cosco. O comércio bilateral saltou de US$ 6,4 bilhões em 2009 para US$50,4 bilhões em 2025. Lima quer chegar à cúpula da Apec (Cooperação Econômica Ásia-Pacífico) em Shenzhen (marcada para os dias 18 e 19 deste mês) vendendo o país como plataforma chinesa para a América do Sul.

O banco central chinês fez nesta terça-feira (3) uma operação que dá a instituições financeiras recursos para comprar ações. Ao todo, 31 empresas pediram mais de 100 bilhões de iuanes, cerca de US$ 15 bilhões.

A medida faz parte de um pacote anunciado na segunda (2), após o principal índice da bolsa chinesa cair 8,5% em outubro, o pior mês desde 2016, numa sequência recorde de 12 semanas de perdas. A queda acompanhou a onda global de venda de ações ligadas à inteligência artificial e se somou a dúvidas antigas sobre o crescimento do país.

Pequim também tornou permanente uma linha de crédito barata para financiar recompras de ações e pediu às maiores empresas da bolsa, inclusive as líderes de tecnologia, que recomprem os próprios papéis.

O teste do pacote vem com os dados de inflação e de comércio exterior de outubro, que saem nas próximas semanas e podem dar ao mercado, ou não, motivo para voltar a comprar.

Por que importa: ao pedir que gigantes de tecnologia gastem recursos sustentando o preço dos próprios papéis, Pequim desvia dinheiro do setor que mais precisa investir em chips e IA para competir com os EUA. Se o socorro não segurar o mercado, a conta volta para o governo, na forma de pressão por estímulo fiscal.

Curitiba recebe neste mês o espetáculo "Azaleia Oriental" no Teatro Positivo. O espetáculo traz à cidade a companhia Wucai Yunxia Xin Wenyi, da China, com música, dança, bordados e rituais ancestrais das montanhas de Liangshan. Os shows acontecem nos dias 16, 17 e 18. Outras informações aqui .

Quer entender como tecnologia e espionagem andam juntas na China? Leia "The Hacker and the State", de Ben Buchanan. O livro mostra por que Estados hackeiam mais para espiar do que para destruir e detalha a invasão chinesa ao OPM, o órgão de pessoal dos EUA. Compre aqui .

De 13 a 30 de novembro, o serviço de streaming iQIYI e a plataforma Spcine disponibilizam gratuitamente 8 filmes da 11ª Mostra de Cinema Chinês de São Paulo pela plataforma. Integram esta etapa filmes como "Está Tudo Bem", "O Peso de Sonhar", "Jantar para Seis", entre outros. Saiba mais aqui .