Grupo fez live agredindo engenheiro em Santos; 'Não vou sossegar enquanto não for feita justiça', diz pai

O grupo que agrediu o engenheiro ambiental Marcelo de Oliveira Rocha , 30, em Santos , litoral paulista , na madrugada de sábado (24), fazia live em um rede social, que era acompanhada por dezenas de pessoas.

Por Admin ·

Grupo fez live agredindo engenheiro em Santos; 'Não vou sossegar enquanto não for feita justiça', diz pai

Segundo a Polícia Civil, foram identificado cinco suspeitos das agressões, sendo dois adultos e cinco adolescentes —a Justiça autorizou a apreensão de dois deles.

Rocha participava de um evento em favor da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ( PT ). Ele ficou em estado grave, foi transferido para o Hospital São Paulo na noite de domingo, mas teve a morte cerebral constatada no final de segunda-feira (26).

A realização da live foi divulgada inicialmente pelo portal G1 e confirmada pela Folha.

A investigação trabalha a partir de imagens de câmeras de monitoramento e de redes sociais e também de depoimentos de testemunhas para individualizar a conduta de cada agressor, afirmou a Secretaria de Segurança Pública estadual.

O trabalho foi reforçado pelo Noad (Núcleo de Observação e Análise Digital), órgão especializado em investigar crimes online.

O caso é investigado como latrocínio (roubo seguido de morte), uma vez que o celular e outros pertences da vítima foram levados. A polícia descarta motivação política para o crime.

Rocha participava de um evento de samba com a banda Esquerdantina nas proximidades da sede do Sindipetro-LP (Sindicato dos Petroleiros do Litoral Paulista), na avenida Conselheiro Nébias, em Santos.

Ele teria ido ao banheiro e como demorava para voltar, amigos saíram para procurá-lo. O engenheiro foi encontrado caído. O grupo musical citou um possível caso de homofobia , o que a polícia também descartou.

"Exigimos a rápida apuração dos fatos e a responsabilização e punição dos responsáveis", disse a banda, em nota publicada em suas redes sociais. "Manifestamos nossa solidariedade à vítima e a seus familiares, bem como nosso firme repúdio à homofobia. Alertamos para os riscos que todos corremos quando o ódio é naturalizado, protegido ou promovido como instrumento de intimidação política", afirmou em outro trecho.

O jovem fazia mestrado na Unifesp, que publicou nota de repúdio e pediu que os envolvidos sejam punidos.

"Independentemente das motivações que venham a ser esclarecidas, a violência não pode ser naturalizada ou tolerada. O respeito à vida, à integridade das pessoas e ao direito à participação na vida pública constitui fundamento indispensável da convivência democrática", afirma outro trecho do texto.

A família doou os órgãos do estudante, de acordo Marcelo Rocha, pai da vítima.

Foram doados os rins, o pâncreas, o fígado e as córneas.

"A única cobrança que eu quero é que esses marginais sejam presos. Não vou sossegar enquanto não for feita justiça", disse. "É o que peço. Empenho das autoridades para que prenda todos esses marginais", completou.

O velório vai ocorrer no cemitério de Santana, conhecido como Chora Menino, na zona norte de São Paulo, e o sepultamento será no Cemitério de Congonhas, na zona sul, ainda sem horários definidos.