Empresa investe em plano de eficiência para reestruturar R$ 4,3 bilhões em divídas
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São Paulo O Grupo Pão de Açúcar registrou prejuízo líquido consolidado de R$ 731 milhões no terceiro trimestre deste ano, período que, segundo o CEO Alexandre Santoro, apontou para uma melhoria das operações da varejista que entrou com um pedido de recuperação extrajudicial em março, segundo balanço divulgado nesta quarta-feira (4).
O prejuízo marca uma piora de quadro em relação ao mesmo período do ano passado, quando o GPA marcou R$ 134 milhões em lucro líquido, quando a varejista ainda não havia entrado em acordo com credores para reestruturar suas dívidas.
"A foto é essa, mas o filme é outro. Nós já estamos começando a colher frutos do que nos propomos a fazer em termos de ganho de eficiência," disse o executivo.
O prejuízo veio principalmente das operações encerradas, como hipermercados Extra e postos de combustíveis, que ficaram no vermelho em R$ 511 milhões.
A receita líquida também recuou, de R$ 4,9 bilhões para R$ 4,6 bilhões, na mesma base de comparação –queda de 6,5%. No acumulado do ano, o GPA soma R$ 12,7 bilhões em vendas líquidas, ante R$ 14 bi no somatório de janeiro a setembro de 2025.
Do lado das operações, porém, a companhia, que teve o pedido de recuperação extrajudicial homologado pela Justiça de São Paulo no último 7 de outubro, mostra alguns dos ajustes feitos pela varejista para reverter a crise, sobretudo pela via da simplificação de operações.
O Ebitda ajustado (lucro operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização) registrou ganho de 16,9% ano a ano, de R$ 482 milhões ante R$ 412 milhões, e de 7% ante o trimestre anterior.
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A varejista colocou em marcha o que batizou de "Plano de Eficiência". O GPA cita redução de funcionários –cerca de 20%, no quadro corporativo–, descontinuação de contratos pouco eficientes, redução de despesas com publicidade, ganhos em logística, como fretes otimizados, e diminuição de perdas operacionais.
O ganho de eficiência, segundo o CEO Alexandre Santoro em entrevista à Folha , é um dos pilares do projeto para reerguer o GPA, com dívidas de mais de R$ 4,3 bilhões em renegociação na recuperação extrajudicial. Outro pilar é endereçar "passivos estruturais", como dívidas fiscais, trabalhistas e arbitragens.
"Esses dois pilares são questão de sobrevivência. É resolver passivo estrutural e reduzir custos, adequar a companhia à nova realidade", afirma ele.
"Quando eu falo de simplificação, é simplificar a operação na ponta. Eu gosto de dar um exemplo: vender sushi no Pão de Açúcar faz sentido? Faz, mas em algumas lojas. Em algumas unidades não faz sentido, porque o volume é baixo e a perda é grande. Estamos indo nessa granularidade, priorizando o que o cliente quer e o que vende."
O terceiro pilar, segundo ele, é voltar a crescer em vendas. O recuo de 6,5% na receita líquida é justificado pela decisão de priorizar rentabilidade, por exemplo, com a descontinuação do formato Aliados no início do ano, um modelo de parceria comercial com pequenos e médios negócios de bairro.
Efeitos de calendário e redução de vendas nas mesmas lojas também afetaram o resultado –segundo a companhia, por efeito da recuperação extrajudicial sobre o abastecimento das gôndolas.
Santoro afirma que, dentro desses esforços de gerar caixa, o destaque fica com o reposicionamento do Extra, como um dos braços principais do negócio. A marca representa um terço do total da receita e "precisa de uma atenção especial", diz ele, tanto de posicionamento de preço quanto de sortimento de produtos.
"O Extra tem uma proposta de valor para o cliente que é diferente do Pão de Açúcar, que é mais reconhecido pelos perecíveis, de frutas, legumes, verduras, proteínas. Temos dado atenção para reforçar essas áreas, com times de formação técnica, novos fornecedores… Realmente subir o nível e a qualidade do serviço, porque sabemos que perdemos fatia de mercado nos últimos anos."
A e stratégia de reorganização também passa por regionalizar as operações . Para conduzir essa adequação de sortimentos —conjunto de produtos oferecidos em cada local—, o GPA criou representações no Rio de Janeiro , em Brasília e em Recife .
Funcionários: cerca de 37 mil empregados diretos
Receita bruta: R$ 4,6 bilhões (terceiro trimestre de 2026)
Prejuízo líquido consolidado: R$ 731 milhões (terceiro trimestre de 2026)
Principais concorrentes: Carrefour, St. Marche, Oba Hortifruti
GPA amplia prejuízo no trimestre, mas avança com plano de eficiência
CEO Alexandre Santoro fala em 'disciplina' para 'sobrevivência'