Governo Trump prepara deportação em massa de afegãos, mesmo sob risco de perseguição do Talibã

O governo Trump deteve dezenas de imigrantes afegãos na Louisiana e planeja deportá-los para o Afeganistão , segundo três autoridades dos Estados Unidos . O grupo inclui pessoas que podem sofrer discriminação ou perseguição sob o regime do Talibã , entre elas

Por Admin ·

Governo Trump prepara deportação em massa de afegãos, mesmo sob risco de perseguição do Talibã

Mais de 150 imigrantes afegãos devem ser deportados, segundo uma autoridade, o que faria desta uma das maiores expulsões de afegãos realizadas de uma só vez .

Ao enviá-los ao Paquistão —que, por sua vez, os mandaria ao Afeganistão—, o governo Trump encontrou uma forma de contornar os obstáculos que, até agora, impediram que afegãos vulneráveis fossem enviados de volta para enfrentar a repressão ou a retaliação do Talibã.

Como não mantêm relações diplomáticas com o Talibã, a Casa Branca não pode organizar deportações para o Afeganistão. Além disso, alguns afegãos que vivem no país receberam proteção legal de juízes americanos, o que impede que sejam enviados de volta a sua terra natal devido à perseguição que provavelmente enfrentariam sob o regime.

As autoridades afirmam que, na prática, a deportação tem o Afeganistão como destino final, e foi isso que o Serviço de Imigração e Alfândega ( ICE ) informou aos detidos. O governo paquistanês supervisionará a expulsão deles pela fronteira.

O primeiro voo deve partir já na segunda-feira (1).

Um dos afegãos indicados para deportação é Mohammad, 47, que afirmou ter sido detido no ano passado por agentes federais enquanto carregava seu carro elétrico e ter permanecido sob custódia em Oklahoma.

Na semana passada, foi transferido para uma prisão na Louisiana para ser deportado, segundo contou em entrevista pelo telefone da cadeia. Ele disse que sua família deixou o Afeganistão como refugiados em 1981, quando ele tinha 2 anos, após a invasão soviética .

Ao longo de quatro décadas, Mohammad construiu sua vida nos EUA. Depois de cumprir pena, pouco depois dos 20 anos, por dois crimes graves, perdeu seu direito de residência permanente. Mohammad disse que aprendeu a aceitar o fato de ser gay e se casou com um americano em 2020.

"Isso, por si só, já é motivo automático para prisão e execução lá", disse Mohammad. No Afeganistão, a homossexualidade é punível com a morte . Ele falou sob a condição de ser identificado apenas por seu nome do meio, explicando: "Temo pela minha vida".

Em documentos judiciais de outro caso, um afegão afirmou ter sido preso e torturado pelo Talibã em 2023 devido à ligação de sua esposa com o governo anterior. Ela havia ajudado as Forças Armadas americanas como soldado do Exército afegão e integrante da força policial feminina, grupo escolhido como alvo de represálias pelo regime quando este voltou ao poder.

Ele entrou ilegalmente nos EUA em 2024, foi preso pela Patrulha de Fronteira e, desde então, está sob custódia do ICE. Seu pedido de asilo foi negado por um juiz americano, e seu advogado compartilhou os documentos que descrevem o caso sob a condição de que o homem não fosse identificado.

A legislação americana proíbe o governo de deportar pessoas para países nos quais os tribunais tenham decidido que elas muito provavelmente sofreriam perseguição. Não se sabe se algum dos afegãos que serão enviados de volta em novembro conta com esse tipo de proteção judicial.