Mas, até agora, a cruzada resultou em acusações do governo Trump contra apenas cerca de 236 pessoas em todo o país por crimes relacionados a fraude eleitoral desde que o presidente assumiu o cargo , segundo o órgão. Esse número inclui estrangeiros que são acusados de terem se registrado para votar, mas que não foram às urnas.
O número representa uma parcela ínfima dos mais de 158 milhões de votos depositados nas eleições gerais de 2024 e fica muito aquém dos dados citados em julho por Markwayne Mullin , secretário da pasta, que afirmou, sem apresentar provas, que mais de 250 mil possíveis estrangeiros estavam registrados para votar em apenas quatro estados.
O pequeno número de acusações enfraqueceu ainda mais as alegações infundadas do presidente Donald Trump de que não-americanos votam de forma generalizada e favorecem o Partido Democrata nas eleições, além de levantar dúvidas sobre o motivo pelo qual o DHS destinou tantos recursos a essa iniciativa antes das eleições de meio de mandato .
"Isso tem a ver com deslegitimar uma eleição que os preocupa muito", disse David Becker, ex-advogado especializado em direitos eleitorais do Departamento de Justiça e diretor do Center for Election Innovation and Research, grupo que trabalha para apoiar as autoridades no pleito. "Eles estão tentando fabricar provas e estão fracassando."
A campanha do governo para investigar eleitores estrangeiros envolve uma estreita parceria entre os departamentos de Segurança Interna e de Justiça, que liderou os esforços para apresentar acusações criminais contra estrangeiros por voto ilegal.
O trabalho investigativo do DHS também tem sido central nas recentes tentativas de interferência do Departamento de Justiça nas eleições.
O órgão defendeu sua ênfase na questão, afirmando que erradicaria fraudes eleitorais onde quer que fossem encontradas e intensificaria as deportações de estrangeiros que votaram ou se registraram ilegalmente.
"O DHS está empenhado em garantir eleições justas, honestas e precisas", afirmou o órgão em nota. "O DHS está defendendo o Estado de Direito e protegendo a integridade das eleições americanas ao remover estrangeiros que votam e diluem os votos dos cidadãos americanos. SOMENTE americanos devem eleger líderes americanos."
O voto de estrangeiros, que são proibidos por lei de se registrar ou votar, é excepcionalmente raro, segundo diversos estudos. Críticos afirmam que os esforços agressivos da Segurança Interna para investigar estrangeiros parecem, na verdade, ter como objetivo intimidar eleitores e preparar o terreno para contestar os resultados das eleições .
Há meses, grupos de defesa dos imigrantes também manifestam receio de que agentes federais apareçam nos locais de votação , embora, até a manhã desta terça-feira (3), não houvesse sinais de autoridades de imigração patrulhando esses locais.
Incumbir centenas de agentes de vasculhar os cadastros eleitorais estaduais e enviar equipes para entrevistar pessoas em suas casas a fim de identificar estrangeiros é um uso extraordinário dos poderes do departamento.
Maior órgão federal de segurança pública, o DHS foi criado após os ataques de 11 de setembro de 2001 para ajudar a proteger o país contra ameaças.