Executivo da empresa diz que chegada dos aviões foi adiada devido a indisponibilidade peças e instalações de manutenção
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Toulouse (França) Depois de suspender rotas devido à alta no preço do combustível , a Gol mira a redução no consumo de QAV (querosene de aviação ) em trajetos internacionais recém-anunciados com a chegada de aeronaves da nova geração da família A330, da Airbus .
Por enquanto, a companhia aérea brasileira tem realizado voos ligando o Rio de Janeiro a Lisboa e a Nova York com modelos A330ceo, a geração mais antiga da aeronave da fabricante francesa, que consome mais combustível.
A operação é feita com aviões da companhia aérea espanhola Wamos, que também emprestou a tripulação para os voos da Gol, enquanto as novas aeronaves da empresa brasileira não chegam.
Segundo a Airbus, o novo A330 é capaz de reduzir o consumo de combustível em 12% na comparação com a aeronave da geração anterior, considerando o consumo por voo com o mesmo número de assentos e porte semelhante.
Essa melhoria se deve, principalmente, aos motores de nova geração, à aerodinâmica aprimorada e às asas redesenhadas, que contribuem para uma maior eficiência no uso de combustível.
A Gol não divulga qual será o ganho de receita com a economia de querosene.
O prazo para que a companhia aérea receba os aviões foi postergado. "Esse cronograma tem sido bastante dinâmico. Nossa expectativa inicial era receber todos esses aviões até o fim deste ano. Agora, estamos adiando isso para o primeiro trimestre do próximo ano", diz Rafael Araújo, executivo que liderou o projeto de aquisição dos A330.
"Como todos sabemos, os preços dos combustíveis estão extremamente altos neste momento. Uma economia de 12% por abastecimento, multiplicada pela quantidade de voos que realizamos por dia, representa muito dinheiro", diz.
Araújo cita, entre os motivos do atraso, a baixa disponibilidade de instalações de manutenção e de componentes e peças.
A Gol decidiu reduzir ou suspender rotas, a partir de 2027, devido ao aumento do preço do combustível. A medida atinge alguns destinos operados com o Boeing 737, que incluem Orlando e Miami , nos Estados Unidos .
A companhia aérea disse que a medida foi tomada devido ao aumento do preço do QAV (querosene de aviação), que disparou depois do começo da guerra do Irã .
A chegada das aeronaves não depende da Airbus. A Gol fez a aquisição de cinco aviões A330neo (nova geração do modelo) por meio de leasing –um tipo de empréstimo de avião muito utilizado pelas companhias do setor.
O objetivo da adição das aeronaves, de acordo com a Gol, é fortalecer a sua estratégia de expansão internacional, até então focada apenas em voos dentro da América do Sul .
A arrendadora é a Avolon, empresa de leasing com sede em Dublin ( Irlanda ) que possui mais de 1.000 aeronaves de Boeing, Airbus, Embraer e Bombardier.
Segundo Araújo, a Gol deve divulgar novas rotas com o A330 depois que as aeronaves chegarem. Em março deste ano, a companhia havia anunciado que o modelo seria utilizado também em trajetos ligando a capital fluminense a Orlando e a Paris , além dos trajetos já iniciados para Lisboa e Nova York.
"Só vamos confirmar essas novas rotas quando tivermos datas firmes para a chegada das aeronaves e a preparação necessária para iniciar as operações."
"O nosso risco é colocar uma rota à venda para uma data futura e, depois, sofrer um novo atraso. Nesse caso, teríamos um problema para resolver. Assim que tivermos datas confirmadas –e estamos bastante perto de chegar a essas definições– vamos disponibilizar algumas novas operações para venda", completa Araújo.
O novo projeto da Gol, um marco para a empresa depois da conclusão do Chapter 11 (equivalente à recuperação judicial ) nos EUA, visa ter o Galeão, no Rio, como hub da companhia aérea.
O Airbus A330 tem capacidade para mais de 290 assentos, corredor duplo e autonomia de cerca de 15 horas. Os voos operados pela Gol também possuem uma classe executiva batizada de Business Insignia.
O A330 também tem ganhado atenção de sua própria fabricante, que quer aumentar a produção do modelo nos próximos anos. Hoje, a Airbus produz quatro aeronaves desse modelo por mês em sua fábrica em Toulouse, na França , e prevê aumentar esse patamar para cinco aviões por mês até 2029.
Fundação: 2001 Funcionários: 17 mil Frota: 147 aeronaves Boeing 737 (ao final do segundo trimestre; a empresa não contabiliza outros modelos de aviões) Principais concorrentes: Azul e Latam
O jornalista viajou a convite da Gol