Gilmar não cita nomes no texto, mas a crítica é direcionada ao presidente do órgão, o ministro Kassio Nunes Marques , com quem já teve desavenças públicas.
"As eleições de 2026 evidenciaram a correção da antiga lição de que as instituições de Estado são maiores do que os membros que as ocupam. Foi o colegiado do Tribunal Superior Eleitoral que assegurou que a disputa transcorresse dentro das regras do jogo democrático", disse o decano, na publicação.
"A institucionalidade, entretanto, não deveria precisar ser resgatada a cada eleição. De quem está na condução do órgão que organiza o pleito espera-se a postura de árbitro equidistante que a Constituição pressupõe", acrescentou.
"Na condução de órgãos de elevada importância, um aspecto precisa ficar claro: silêncios e hesitações não são neutros. Podem abrir espaço para decisões contraditórias, levar outras instâncias a suprir, pelas vias próprias, o que poderia ter sido resolvido desde a origem e servir de pretexto a quem insiste em atacar um sistema eleitoral íntegro e confiável."
"Desta vez, a colegialidade cumpriu seu papel. A solidez do processo eleitoral, contudo, não pode depender apenas da força do colegiado."
Na eleição, o ministro Cristiano Zanin, do Supremo, estendeu o horário de votação por duas horas , após pedidos das campanhas de Lula (PT) e de Flávio Bolsonaro (PL). Kassio não havia se manifestado sobre o tema.
A decisão foi usada como justificativa para Flávio dizer que queria anular a votação e alimentou teorias da conspiração, sem fundamentos, de bolsonaristas.