"Estamos cada vez mais a ouvir de vocês sobre uma greve geral em 11 de novembro. Temos que puxar junto. O problema da habitação não conhece fronteiras", postou no Instagram Miriam Bué, porta-voz do Sindicato de Inquilinas e Inquilinos de Madri, entidade central nos protestos contra o despejo da idosa Maricarmen Abascal na Espanha.
A greve conta com o apoio do Sindicato de Moradoras e Moradores de Lisboa. Os sindicatos de trabalhadores na Espanha também já aderiram. A CGTP, Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses, ainda não respondeu se fará parte do movimento.
Neste sábado (24), milhares de estudantes portugueses desafiaram as autoridades e desceram a avenida da Liberdade em direção ao Rossio com o objetivo de fazer mais uma "acampada" –montagem de tendas onde os estudantes passam a noite em protesto contra os alugueis altos.
A Polícia de Segurança Pública proibiu esse tipo de manifestação e disse que retiraria as barracas do Rossio caso elas efetivamente se instalassem. Juristas portugueses contestam a proibição, invocando dispositivos legais que dizem que o direito de manifestação não necessita de autorização prévia.
Um protesto semelhante ocorreu também no Porto, maior cidade do norte de Portugal. Na madrugada deste domingo (25), depois de duas horas de negociação, a polícia dispersou as acampadas em Lisboa e no Porto. Ao menos 31 pessoas foram detidas e outras 11 ficaram levemente feridas nas duas cidades, de acordo com informações da Polícia de Segurança Pública.
"A avenida da Liberdade é um símbolo para várias gerações de portugueses", diz à reportagem o estudante João Cruz, de 27 anos, doutorando em ciências do ambiente. Ele se refere ao fato de que o percurso reproduz aquele que os portugueses fazem todos os anos no dia da Revolução dos Cravos, 25 de abril, a data nacional do país.