O Fundo Garantidor de Créditos (FGC), associação que funciona como uma rede de proteção para depositantes e investidores do Sistema Financeiro Nacional (SFN), informou nesta quinta-feira que identificou acesso não autorizado a informações pessoais em seus sistemas onde estão armazenados os processos de garantia. Entre os dados acessados inadvertidamente encontram-se nomes, emails e data de nascimento. O FGC não revelou quantas pessoas foram afetadas, mas garantiu que todas foram notificadas.
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A entidade, sem fins lucrativos, foi criada em 1995, e seu patrimônio é formado por contribuições mensais obrigatórias das próprias instituições financeiras associadas (como bancos múltiplos, comerciais, de investimento, além da Caixa Econômica Federal). Caso uma instituição financeira quebre, sofra intervenção ou tenha a liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central do Brasil o FGC ressarce os clientes até o limite de R$ 250 mil por CPF/CNPJ e por instituição ou conglomerado financeiro, limitado ao teto global de R$ 1 milhão a cada período de 4 anos.
O Fundo, por exemplo, vem ressarcindo os credores e clientes afetados pelas liquidações extrajudiciais do Banco Master, do Will Bank (Will Financeira) e do Banco Pleno (além de instituições ligadas). O total estimado de desembolsos com essas liquidações chega a R$ 51,8 bilhões (sendo cerca de R$ 40,6 bilhões para o Banco Master, R$ 6,3 bilhões para o Will Bank e R$ 4,9 bilhões para o Banco Pleno).
De acordo com comunicado, a suspeita foi identificada em 26 de outubro passado, quando começaram a ser tomadas providências em relação ao caso. De acordo com o FGC, foram tomadas medidas de contenção, restrição de acessos e preservação de evidências.
A investigação no FGC está seguindo com com apoio de especialistas, mas não foi informado se já se sabe quem fez os acessos não autorizados. O FGC também garantiu que não encontrou evidências de que os dados tenham sido divulgados ou utilizados. A entidade informou ainda que comunicou o caso à Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD). Não foi identificada até agora nenhuma perda financeira decorrente do evento, disse o FGC.
Mesmo assim, informa o FGC, a apuração continua para verificar se foram feitas cópias, divulgação pública ou utilização indevida das informações. O FGC prestará as informações conforme o avanço das investigações. As comunicações individuais aos titulares afetados estão sendo realizadas pelos canais utilizados pelo FGC.
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O FGC afirmou que adotou medidas de revisão de acessos aos dados, assim como reforço da segurança. Como prevenção a possíveis tentativas de fraude, o FGC reforça que não solicita senhas, códigos de autenticação, pagamentos de taxas para liberação da garantia ou instalação de aplicativos durante contatos de atendimento. A orientação é buscar informações nos canais oficiais da entidade para evitar possíveis golpes.
Clientes devem usar apenas canais oficiais
Os canais oficiais de atendimento e divulgação são o aplicativo do FGC, telefone, e-mail e redes sociais (no atendimento, nenhum código ou senha é solicitado pelo FGC). O FGC não cobra nenhum tipo de taxa para efetuar o pagamento da garantia, não antecipa, não transfere créditos garantidos e não utiliza intermediários. Nenhum contato é feito por meio do WhatsApp ou SMS.
Criminosos se aproveitam de momentos de vulnerabilidade do mercado — especialmente quando grandes instituições financeiras (como o caso do Master) sofrem intervenção ou liquidação pelo Banco Central — para criar falsas centrais de atendimento e mensagens fraudulentas.
Os golpes mais comuns mapeados pelo próprio FGC e pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban) são cobrança de taxas antecipadas, em que os golpistas entram em contato passando-se por representantes do FGC e cobram depósitos ou Pix com a falsa promessa de adiantar ou "liberar" o dinheiro da garantia. Também já foi detectado o envio de links fraudulentos via WhatsApp, SMS ou e-mail induzindo a vítima a baixar aplicativos não oficiais ou digitar senhas e códigos de segurança.
"O FGC lamenta o ocorrido e reconhece a preocupação que o incidente pode gerar aos titulares de dados envolvidos. O tema está sendo tratado com prioridade, com foco na proteção das informações e na orientação às pessoas afetadas. Atualizações e orientações serão disponibilizadas em fgc.org.br/comunicado. Credores podem esclarecer dúvidas pelo e-mail [email protected]", informou a entidade.
A advogada Carla Segala, sócia responsável pela área de Tecnologia, Proteção de Dados e Propriedade Intelectual do Berardo Lilla Advogados, aponta que as informações pessoais vazadas podem ser exploradas em tentativas de roubo de identidade e estratégias de engenharia social.
— O grande risco está na combinação de dados cadastrais (como nome, CPF, e-mail e data de nascimento) com informações específicas sobre o pagamento de garantias. Essa junção permite que criminosos elaborem abordagens fraudulentas muito mais convincentes, fingindo ser o próprio FGC ou instituições financeiras para solicitar dados adicionais, credenciais de acesso ou pagamentos indevidos — diz a advogada que pondera que até o momento, entretanto, não há indícios de que senhas ou credenciais de acesso aos recursos tenham sido comprometidas.
Para Beatriz Haikal, sócia de Proteção de Dados e Inteligência Artificial no BBL Advogados, o dinheiro dos clientes não parece estar em risco direto em uma primeira análise, já que não há notícias de vazamento de senhas ou dados bancários. Mas ela também aponta o risco de golpes de engenharia social.
— Ao possuir dados como nome, CPF, data de nascimento, e-mail e a confirmação de que a vítima recebeu garantia do FGC, o criminoso consegue estruturar abordagens convincentes para um público naturalmente ansioso por informações sobre seus recursos — avalia.
Para proteger as informações e evitar essas fraudes, as especialistas recomendam aos clientes que tiveram seus dados vazados desconfiar de abordagens não solicitadas por e-mail, whatsApp ou telefone e acessar o FGC apenas digitando o endereço oficial do site ou pelo aplicativo, sem clicar em links recebidos.
Também é recomendável ativar a verificação em duas etapas no e-mail, na conta gov.br e em aplicativos bancários, além de alterar senhas que tenham relação com a data de nascimento. E também consultar periodicamente o Registrato, do Banco Central, para checar se houve abertura de contas ou empréstimos desconhecidos em seu nome.
Fundo Garantidor de Créditos é alvo de invasão e dados de clientes são acessados irregularmente
O Fundo Garantidor de Créditos (FGC), associação que funciona como uma rede de proteção para depositantes e investidores do Sistema Financeiro Nacional (SFN), informou nesta quinta-feira que identificou acesso não autorizado a informações p