França convoca 70 mil agentes para reforçar segurança durante protestos convocados para o fim de semana

Por O Globo, com agências internacionais — Paris 23/10/2026 10h01 Atualizado 23/10/2026 10h04 O ministro do Interior da França , Laurent Nuñez, anunciou nesta sexta-feira a convocação de 70 mil agentes para reforçar a segurança de cidades

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França convoca 70 mil agentes para reforçar segurança durante protestos convocados para o fim de semana

Por O Globo, com agências internacionais — Paris

23/10/2026 10h01 Atualizado 23/10/2026 10h04

O ministro do Interior da França , Laurent Nuñez, anunciou nesta sexta-feira a convocação de 70 mil agentes para reforçar a segurança de cidades francesas durante o fim de semana, quando novos atos contra o alto custo de vida devem ser realizados, após as manifestações nacionais do último sábado . O governo francês tenta impor limitações à realização dos protestos, com o presidente Emmanuel Macron sugerindo que só seriam autorizados atos vinculados a organizações sindicais, a fim de evitar as cenas de violência de 17 de outubro, quando cerca de 3 mil lojas foram vandalizadas e saqueadas, provocando uma disputa política e ideológica a cerca de seis meses da eleição presidencial.

— Estamos preparados para ser extremamente firmes amanhã e não tolerar absolutamente nada — disse Nuñez após uma reunião do Conselho de Segurança francês nesta sexta-feira, acrescentando que as autoridades serão "implacáveis com os vândalos, os saqueadores e todos aqueles que cometerem atrocidades". — Teremos total controle para evitar que esses saques e ataques a prédios públicos voltem a ocorrer.

As medidas ostensivas anunciadas pelo governo não se limitam a um reforço do número de policiais. Veículos blindados serão colocados em circulação, e será acionada a missão Sentinelle, composta por militares, diante do que o ministro relatou serem "inúmeros apelos nas redes sociais para a prática de abusos" e "saques". Macron também propôs a proibição de atos não convocados por sindicatos, o que virou alvo de críticas de grupos de defesa dos direitos civis, que afirmam que a determinação colocaria o direito à livre manifestação está sob ataque.

Algumas cidades, como Marselha e Lyon — onde atos de vandalismo foram registrados à margem das marchas pacíficas no sábado, incluindo a invasão da prefeitura da primeira cidade —, estabeleceram proibições gerais a qualquer manifestação, levando sindicatos e grupos estudantis a se desdobrarem para apresentar planos de protesto às autoridades e negociar as rotas para marchas. As medidas também levaram a contestações judiciais de última hora.

Em Paris, um decisão judicial derrubou uma proibição determinada pela polícia, e centenas de pessoas participaram de um ato estudantil na quinta-feira. A capital francesa estendeu o toque-de-recolher que está em vigor até a próxima segunda-feira, e autoridades locais autorizaram apenas uma manifestação no fim de semana, com trajeto delimitado entre a Praça da Bastilha e a Praça da Nação.

A resposta linha-dura ocorre em um momento em que forças políticas de oposição e a opinião pública francesa questionam o governo pela incapacidade de garantir a ordem no último sábado. Os líderes de extrema direita, Marine Le Pen (Reagrupamento Nacional), e de extrema esquerda, Jean-Luc Mélenchon (França Insubmissa) acusaram, respectivamente, Macron de estar "perdido", e o primeiro-ministro Sébastien Lecornu de permitir o caos em busca de benefício político ao desviar o debate dos insucessos econômicos.

As forças governistas acusaram "grupos de extrema esquerda" de atentarem contra a República francesa, relacionando os atos de violência a uma ação "pré-planejada" por facções minoritárias, ao qual se somaram "saqueadores oportunistas" — que horas após os protestos, tentavam vender os produtos roubados durante o distúrbio social em plataformas on-line.

O ministro da Justiça francês, Gérald Darmanin, informou na quinta-feira que 217 das 2,7 mil pessoas detidas no último fim de semana foram presas, enquanto outras mil estão sendo processadas. Para o sábado, o primeiro-ministro francês prometeu que "o dispositivo" seria "massivo".

Em cidades francesas que presenciaram os atos violentos, há preocupação com a jornada convocada para o fim de semana. Os museus do Louvre, Orsay e Picasso anunciaram que não abrirão as portas no sábado. Comerciantes também temem uma nova onda de saques

Muitos donos de comércio na capital estão protegendo as vitrines de seus estabelecimentos com tábuas de madeira, enquanto alguns pensam em não abrir. Outros se preparam para defender seus comércios por conta própria.

— Nas ruas, vi tacos de beisebol, barras de ferro e espingardas de caça — afirmou nesta sexta-feira o presidente das Câmaras de Comércio e Indústria da França, que recomendou "baixar as portas" e "deixar a polícia agir". (Com AFP)

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