Em comparação a 2022, quando o petista conquistava seu terceiro mandato, houve uma "troca de guarda", com maior presença de políticos com grande alcance nas redes sociais. São os casos do deputado federal eleito pelo PSOL de São Paulo, Guilherme Cortez , 28, e do deputado federal André Janones (Rede-MG), destaque da campanha de Lula no segundo turno.
O mineiro foi responsável pela criação do "Exército do Lula" , que reúne 10,8 milhões de pessoas em uma comunidade do WhatsApp, vista como um dos principais fatores da mobilização que levou à virada histórica. Cortez e Rafael Fonteles (PT), governador reeleito no Piauí — um dos coordenadores da campanha no segundo turno — também estão entre os que capitanearam a mudança de estratégia de comunicação.
Na foto da vitória de 2022, Janones está no canto direito, atrás da ex-presidente Dilma Rousseff, e do tradutor de Libras (Língua Brasileira de Sinais), e Fonteles não aparece nela. Cortez também não estava, pois ainda não havia se candidatado.
Em seu discurso, Lula contou ter ganhado um celular do prefeito do Piauí e disse que vai "conversar muito" com o povo brasileiro. Ele usou o novo aparelho para entrar no canal "Exército do Lula" e passou a ser chamado de "marechal" por Janones, apelidado de "general".
A imagem de 2026 contrasta com a da vitória de Lula em 2022, quando reuniu uma ampla frente democrática, incluindo parlamentares de centro, e privilegiou a velha guarda do PT. Na foto oficial do pleito passado, quem segurava o microfone e o ajudava com o discurso era a primeira-dama, Rosângela da Silva, conhecida como Janja.
Neste ano, ao seu lado, na mesma posição em que Janja ficou anteriormente, estava Janones, embora a primeira-dama seguisse no palco. Ao lado de Janones ficou Cortez, que teve papel importante para o crescimento de Lula em São Paulo. Na capital paulista, o petista saltou de 3 milhões para 3,8 milhões de votos, enquanto o rival do PL foi de 2,7 milhões para 3 milhões.
Outra figura que não esteve na foto deste ano foi Gleisi Hoffmann , presidente do PT em 2022. Em seu lugar estava o sociólogo Edinho Silva, novo presidente do partido, eleito deputado federal pela cidade de Araraquara (273 km), que governou por 16 anos, em quatro mandatos.
Edinho chegou a ter participação maior na comunicação da campanha, coordenando-a ao lado de Sidônio Palmeira , ministro da Comunicação Social. Ele ganhou companheiros de coordenação após o mau desempenho de Lula no primeiro turno, em especial no Nordeste. A votação do petista, que o colocou em segundo lugar, atrás de Flávio Bolsonaro (PL), foi motivo de bronca de Lula ao presidente do PT .
"Eu acho que nós fizemos uma campanha aquém da minha possibilidade. Acho que a gente poderia ter feito mais. Eu disse para o Edinho que essa foi a campanha menos organizada em que eu participei desde 1989. E normalmente a gente colhe aquilo que a gente planta", declarou o presidente em fala à militância que acabou divulgada acidentalmente para o público.
Rafael Fonteles aparece ao lado de Lula, quase na mesma posição em que estava José Guimarães em 2022. Deputado federal pelo PT do Ceará, Guimarães é hoje ministro-chefe da Secretaria de Relações Institucionais.