Fóssil revela escorpião de mais de 1 metro que viveu há 415 milhões de anos

Reanálise de fósseis preservados em museus identificou características do Praearcturus gigas, que teria vivido em rios e planícies de inundação.

Por Marcelo Fradim ·

Fóssil revela escorpião de mais de 1 metro que viveu há 415 milhões de anos

Uma nova análise de fósseis identificou o Praearcturus gigas, um escorpião pré-histórico que podia ultrapassar um metro de comprimento e ter pinças de até 16 centímetros. O animal viveu há cerca de 415 milhões de anos, no início do período Devoniano, muito antes do surgimento dos dinossauros.

Os fósseis foram encontrados em formações de arenito da região que hoje corresponde à Inglaterra e ao País de Gales. Apesar de a descoberta ter ganhado atenção agora, o material estava preservado em coleções de museus desde o século XIX.

Fósseis passaram por nova análise

O animal foi descrito pela primeira vez em 1870, quando chegou a ser classificado como um crustáceo semelhante aos tatuzinhos-de-jardim. Anos depois, pesquisadores levantaram a possibilidade de que os fragmentos pertencessem a um escorpião, mas a preservação incompleta manteve a identificação em debate.

O novo estudo, publicado na revista científica Palaeontology, utilizou fotografias detalhadas, ilustrações anatômicas e tomografia computadorizada. Os pesquisadores encontraram características compatíveis com as dos escorpiões, incluindo grandes pinças formadas por um dedo fixo e outro móvel, além de uma estrutura alongada na parte inferior do corpo.

A equipe também concluiu que fósseis antes atribuídos a outras espécies provavelmente pertenciam ao mesmo animal. Com isso, o Praearcturus gigas passou a ser considerado um dos maiores escorpiões conhecidos pela ciência.

Possível vida aquática ou anfíbia

A localização dos fósseis indica que o escorpião vivia em ambientes fluviais, associados a rios e planícies de inundação. Por esse motivo, os pesquisadores levantam a hipótese de que ele fosse aquático ou anfíbio, capaz de transitar entre a água e a terra.

O gigantismo da espécie também chama atenção porque ela viveu dezenas de milhões de anos antes do período Carbonífero, frequentemente associado aos artrópodes de grandes dimensões. A disponibilidade de presas e as condições ambientais podem ter contribuído para o tamanho do animal, mas os fósseis incompletos ainda não permitem reconstruir todos os detalhes de sua vida.

Na época, a vida terrestre ainda estava se estabelecendo. Os ecossistemas eram formados por plantas pequenas, fungos e artrópodes primitivos, antes do surgimento de grandes florestas.