A maioria se concentra na região Sul do país, que teve 120 cidades com crescimento do candidato do PL sobre o petista, sendo 79 no Rio Grande do Sul, 30 em Santa Catarina e 11 no Paraná. Na sequência aparecem as regiões Nordeste e Centro-Oeste, ambas com 25 cidades cada.
O crescimento do percentual de votos de Flávio só foi suficiente para virar o resultado em uma cidade: Uirapuru (GO). Nenhum dos municípios onde ele melhorou sua margem tem mais de 100 mil habitantes, afetando uma parte menor do eleitorado do país.
O maior avanço de Flávio aconteceu em quatro cidades do Nordeste que tiveram Lula como vencedor tanto no primeiro quanto no segundo turnos.
É o caso de Laje (BA), onde o candidato conseguiu diminuir a diferença em 24 pontos percentuais. No primeiro turno, Lula venceu na cidade com 67,73% dos votos ante 28,67% do rival; já no segundo turno, o petista ganhou por 57,1% a 42,9%.
Belo Monte (AL), Lagoa Real (BA) e Santo Antônio de Lisboa (PI) completam a lista de municípios onde o senador mais encurtou a distância.
Flávio venceu em 14 capitais no segundo turno, duas a menos do que havia levado no primeiro. Já Lula, que virou o resultado no Rio de Janeiro, segundo maior colégio eleitoral do país, e em Macapá , avançou votos sob o rival em todas as 27 capitais —até nas que não ganhou.
A análise da Folha com dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) considera apenas os votos em território nacional. Nas seções do exterior, Lula venceu por 53,86% dos votos válidos contra 46,14%. No primeiro turno, o petista teve 47,57% dos votos, e o rival, 43,49%.
É comum que os candidatos aumentem o percentual de votos do primeiro para o segundo turno, já que o número de concorrentes cai para apenas dois. Flávio, no entanto, teve menor percentual de votos —em relação ao desempenho na primeira rodada— em 1.737 cidades. Já Lula diminuiu o percentual em só 6.
No cálculo final de votos válidos, os resultados também revelam que o petista se beneficiou mais com a queda histórica de votos nulos e brancos e abstenções entre os turnos.
Lula teve 64,25 milhões de votos no segundo turno, 10,37 milhões a mais do que os 53,87 milhões registrados no primeiro. Já Flávio passou de 56,1 milhões no primeiro turno para 59,82 milhões no segundo turno, 3,72 milhões a mais. Ou seja, entre o primeiro e o segundo turno, Lula conseguiu reverter uma diferença de 2,2 milhões de votos a mais que Flávio havia conquistado e ampliar sua vantagem em mais 4,4 milhões de votos.
Com a menor abstenção em 20 anos, o segundo turno atraiu 3 milhões de pessoas que não votaram na primeira etapa. Além disso, o percentual de votos inválidos (brancos e nulos) também caiu de 4,77% para 3,24%.
Em 2022, o então candidato Jair Bolsonaro (PL) também conseguiu ampliar sua votação sobre Lula (PT) na maioria dos municípios brasileiros entre o primeiro e o segundo turno, conquistando 521 viradas. O crescimento, no entanto, não foi suficiente para reverter a vitória petista, que se deu com 6,2 milhões de votos a mais no primeiro turno e 2,1 milhões a mais no segundo.