A reincidência na covardia e na mentira está catalogada nos registros da história e nas investigações criminais. Nem se fale do uso do cargo para fins privados. Da corrupção , enfim.
Flávio prometia mudança e se mudou. Fugiu para o país ao qual oferecia, se eleito, nossas riquezas naturais, como minerais críticos , e institucionais, como o Pix . Flávio disse que aceitaria o resultado, entregaria os passaportes e não fugiria. Do mesmo jeito que afirmou não conhecer Daniel Vorcaro nem o careca do INSS , nem ser sócio de Willer.
Contesta a derrota numa eleição em que quase tudo desequilibrava em seu favor: algoritmos, recursos financeiros, vozes do mercado, pressões geopolíticas, decisões monocráticas de ministros nomeados pelo pai.
Reclama da prorrogação do horário das urnas, também exigida por sua campanha, e que resultou em 35 mil votos adicionais. Se algo prejudicou eleitores foi a redução da mobilidade urbana em algumas cidades. Indícios de crime eleitoral a se apurar.
Como Flávio Bolsonaro foi possível?
A resposta será parecida nos casos de Jair e Eduardo . Passa pelo conceito de leniência. Jair, Eduardo e Flávio foram possíveis graças às casas de tolerância à delinquência política instaladas no Congresso e no sistema de Justiça.
Qualquer proposta de reforma do judiciário digna da nossa ambição constitucional precisa iluminar engrenagens e práticas de leniência. Deve explicar por que é tão fácil punir o pobre e tão difícil punir detentores de poder político e econômico. Não é disparidade particularmente brasileira, mas pode ser diagnosticada e enfrentada.