'Flávio me preocupa tanto ou mais que pai dele', diz João Amoêdo sobre voto em Lula

Fundador e ex-presidente do partido Novo , o banqueiro João Amoêdo, 64, declarou voto em Lula (PT) no segundo turno da eleição presidencial de 2026, marcado para este domingo (25). Em entrevista à Folha , ele diz que o aceno ao candidato do

Por Admin ·

'Flávio me preocupa tanto ou mais que pai dele', diz João Amoêdo sobre voto em Lula

"Acho que estamos, de novo, indo para uma solução muito ruim, pior ainda que em 2022, porque o Flávio me preocupa tanto ou mais que o pai dele. E o Lula teve, em quatro anos, a chance de trabalhar melhor para reduzir essa polarização, mas não fez nada disso", afirma.

Segundo ele, uma eventual vitória de Flávio daria forças para que o bolsonarismo se perpetue no poder. "O histórico do Flávio é muito ruim. Ele não tem nenhuma entrega para o Brasil, para a população, e representa uma família que tem como único objetivo se perpetuar no poder", ele afirma.

"Não podemos esquecer que Jair Bolsonaro foi condenado por uma tentativa de golpe e uma das pautas principais do Flávio é trazê-lo de volta, inclusive já disse que vai governar com ele, subir a rampa, e todo aquele negócio."

Amoêdo foi candidato à Presidência em 2018, obtendo 2.679.745 votos no primeiro turno, com 2,50% dos votos válidos, terminando a disputa na 5ª colocação. Anunciou a desfiliação do Novo em novembro de 2022 após divergências sobre os rumos do partido.

Formado em engenharia civil pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e em administração de empresas pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-RJ), fez carreira em bancos como Citibank, Unibanco e Itaú BBA.

Apesar de declarar voto em Lula, o banqueiro é crítico ao que classifica como falta de compromisso com as contas públicas pelo atual governo. "O Lula claramente não tem um compromisso com a responsabilidade fiscal, então a forma dele de ficar no poder é fazer gastos que dão pouco retorno e que são voos de galinha para o Brasil. Com isso, a gente não combate efetivamente e de forma sustentável a pobreza", diz ele.

"Mas pior do que isso é que a família Bolsonaro tem a intenção de se perpetuar no poder, subvertendo o Estado democrático de Direito. Isso é o que me preocupa. Entre alguém que é irresponsável fiscalmente e alguém que não tem o compromisso com a democracia, eu prefiro a primeira opção", complementa.

Para Amoêdo, o governo Lula perdeu a oportunidade de corrigir distorções, como privilégios, benefícios fiscais para alguns setores, e melhorar a eficiência dos serviços públicos no país.

"Quando você não tem responsabilidade fiscal, diferentemente do que ele fala, essa conta sempre estoura nos mais pobres, estoura na inflação, estoura nas taxas de juros mais altas e na dificuldade do sujeito de tocar um pequeno negócio, reduzindo a oferta de emprego", aponta.