Pela pesquisa Datafolha publicada na quinta-feira (22), Flávio e Lula estão empatados tecnicamente, com 50% dos votos válidos para cada um. A proximidade da definição do eleito aumentou as articulações e pressões em torno da formação do futuro governo.
Segundo apurou a Folha , o candidato do PL comentou com aliados que gostaria de nomear um militar para a Defesa e que este seria o único integrante das Forças Armadas no primeiro escalão –à exceção do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), cujo titular é por praxe um militar.
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Por esse raciocínio, Flávio já faria uma inflexão moderada em relação ao governo do pai, que encheu a Esplanada dos Ministérios de militares, em pastas como a Casa Civil, a Saúde, a Secretaria-Geral e Minas e Energia. Se levar adiante a ideia, o ministro da Defesa de um futuro governo Flávio teria obviamente de ser um oficial-general de quatro estrelas, e a origem mais provável seria a Marinha.
Como apontam integrantes do Exército, os generais de quatro estrelas da força terrestre que tinham interlocução com Jair Bolsonaro e sua família estão presos por tentativa de golpe de Estado, caso de Augusto Heleno, Walter Braga Netto e Paulo Sérgio Nogueira.
A Marinha, ademais, foi a única das Forças Armadas cujo comandante, segundo a investigação que embasou o julgamento da trama golpista no STF (Supremo Tribunal Federal), se colocou à disposição de Bolsonaro para uma ruptura institucional: o almirante Almir Garnier, também preso.
Dois "quatro estrelas" da Marinha que serviram ao governo Bolsonaro não foram condenados, e seriam ministeriáveis caso Flávio leve adiante a ideia de nomear um militar para a Defesa se for eleito.
São eles os almirantes Flávio Rocha (ex-secretário especial de Assuntos Estratégicos) e Bento Albuquerque (ex-ministro de Minas e Energia). Rocha tem a vantagem de ser amigo próximo dos Bolsonaro, inclusive do filho mais velho de Jair, e gozar de ótima reputação na família.
Aliados e auxiliares do senador mais moderados defendem que, em caso de vitória, o senador nomeie um civil para a Defesa, como manda a tradição nas democracias desenvolvidas –a partir da premissa de subordinação do poder militar ao poder civil emanado das urnas.