27/10/2026 12h13 Atualizado 27/10/2026 15h33
A Polícia Federal (PF) cancelou os passaportes do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após ele descumprir a decisão judicial que determinou a entrega dos documentos até a manhã desta terça-feira. Aliados do parlamentar receberam a informação de que ele deixou o Brasil após a ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para a apreensão. Cinco interlocutores do candidato derrotado à Presidência foram informados que ele teria embarcado para os Estados Unidos.
Segundo os investigadores, não há nenhum registro formal de saída do Flávio do Brasil — ou seja, ele não teria passado por nenhum posto de imigração. Procurada, a defesa de Flávio ainda não se pronunciou sobre a saída do país.
A possibilidade de deixar o país após a derrota eleitoral para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) começou a ser discutida por Flávio com aliados ainda no domingo. A princípio, o senador havia decidido que apenas a mulher e as filhas viajariam ao exterior, por questões de segurança, segundo interlocutores. A avaliação mudou depois que Moraes determinou a entrega dos passaportes à Polícia Federal sob risco de fuga. Contrariado com a decisão e convencido de que poderia ser preso, Flávio teria decidido acompanhar a família.
Flávio é alvo de dois inquéritos no STF. Em um deles, sob relatoria de Moraes, a PF apura suspeitas de participação do senador em um suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo o advogado Willer Tomaz, que está fora do país desde agosto, segundo a PF. O senador também é alvo de uma investigação sobre o financiamento do filme "Dark Horse", cinebiografia de seu pai que contou com recursos do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Master.
Na segunda-feira, Flávio foi intimado por agentes da PF a apresentar o seu passaporte num prazo de até 24 horas, por ordem de Moraes. A determinação foi descumprira pelo parlamentar. Em vídeo publicado em suas redes sociais, o parlamentar disse ter sido abordado no meio da rua, após deixar o condomínio onde mora, no Lago Sul, em Brasília, a caminho da casa do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
— Hoje de manhã eu fui visitar o meu pai, como vocês sabem, ele está em prisão domiciliar. E quando eu estava saindo, a Polícia Federal do Lula estava na porta da casa dele e no meio da rua eu fui intimado a entregar os meus passaportes e também estou proibido de deixar o país. A decisão do Alexandre de Moraes se baseou numa fala do Eduardo de 23 de outubro de que eu deveria deixar o país se eu perdesse a eleição — afirmou Flávio, em vídeo divulgado nas redes sociais.
Na ocasião, negou que tivesse intenção de deixar o país:
— Eu nunca pensei em sair do país. Eu vou entregar os meus passaportes e vou me defender dessa aberração, que é uma clara tentativa de me intimidar. Mas ninguém vai me calar — declarou ele.
Na sexta-feira passada, o deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) defendeu que, em caso de derrota nas urnas, Flávio deveria deixar o país. A entrevista foi dada a um programa dos Estados Unidos, onde ele mora, antes do resultado das urnas que mostrou a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
— Se meu irmão não ganhar, eu sou a favor de que meu irmão saia do país. Com certeza — disse Eduardo, que na mesma entrevista afirmou que, em caso de derrota, o irmão deveria contestar o resultado das urnas.
A primeira informação sobre uma suposta saída de Flávio do Brasil foi publicada pelo site argentino Infobae, durante a madrugada. A publicação reportou que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro teria ingressado na Argentina, por Puerto Iguazú, onde pegaria um voo particular rumo a Miami, nos Estados Unidos. O voo informado, porém, foi cancelado.
Em nota enviada nesta terça-feira, a Direção Nacional de Imigração e a Casa Rosada, órgão do governo argentino, afirmaram não ter registrado qualquer entrada de Flávio no país. Diante da repercussão do caso, disseram os órgãos, as autoridades iniciaram os procedimentos de fiscalização da aeronave e da tripulação. “Constatou-se que a documentação da empresa está regular e não foi apresentado nenhum plano de voo que inclua a família Bolsonaro", ressalta o comunicado.
Segundo o jornal Clarín, a única explicação dada para o cancelamento do voo para Miami foi que "um dos passageiros teve um problema". O jornal também informou que a lista de passageiros nunca foi entregue ao Serviço de Imigração e Alfândega.
Questionado se Flávio fugiu do país, o coordenador da campanha, senador Rogério Marinho (PL-SP) disse que ele estava no Brasil. Em seguida, encaminhou à reportagem uma nota da Bloomberg com uma declaração de Fabián Fernández, secretário de Comunicação e Imprensa do governo argentino, de que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro não entrou no país.
Aliados e integrantes da defesa de Flávio afirmaram mais cedo que não conseguiram contato com o senador nesta terça-feira. Segundo os advogados, estava previsto um encontro com o parlamentar pela manhã para recolher seus passaportes e cumprir a determinação de Moraes. A reunião, no entanto, não ocorreu porque a equipe jurídica não conseguiu localizar o parlamentar.
Na manhã desta segunda-feira, casa do senador, em um condomínio fechado no Lago Sul, em Brasília, uma música gospel foi reproduzida em alto volume. O louvor entoado era "Bondade de Deus".
No dia anterior, na segunda-feira, Flávio participou de uma reunião com alguns aliados, entre eles Marinho e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e depois teria voltado para casa, no Lago Sul, em Brasília. Um comboio de carros saiu do local por volta das 20h. Não se sabe se o senador e a família estavam em algum dos veículos.
Flávio tem mandato de senador até fevereiro de 2027, quando deixará o Congresso Nacional. Mesmo após a perda do cargo, porém, as investigações das quais é alvo permanecerão sob a competência do Supremo.
Isso porque a Corte firmou, em março de 2025, um novo entendimento sobre o foro por prerrogativa de função, estabelecendo que investigações e ações penais relacionadas a crimes cometidos durante o exercício do cargo e em razão das funções desempenhadas devem permanecer no tribunal mesmo depois do fim do mandato.
A decisão, tomada por sete votos a quatro, alterou a jurisprudência anterior, que previa, como regra, o envio dos processos à primeira instância quando a autoridade deixava o cargo. O entendimento foi posteriormente complementado pelo Supremo em maio deste ano.
No caso de Flávio, a manutenção das investigações no STF dependerá do enquadramento dos fatos apurados nesses critérios, especialmente da existência de relação entre os supostos crimes e o exercício do mandato parlamentar.
Na sexta-feira passada, o deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) defendeu que, em caso de derrota nas urnas, Flávio deveria deixar o país. A entrevista foi dada a um programa dos Estados Unidos, onde ele mora, antes do resultado. Neste domingo, Flávio Bolsonaro perdeu as eleições para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que foi reeleito ao cargo.
— Se meu irmão não ganhar, eu sou a favor de que meu irmão saia do país. Com certeza. Com certeza — disse Eduardo, que na mesma entrevista afirmou que, em caso de derrota, o irmão deveria contestar o resultado das urnas.
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