Na noite desta sexta-feira (30), a Fitch informou que alterou a perspectiva da nota francesa de estável para negativa, em uma decisão tomada fora do calendário regular de revisões.
A agência, porém, manteve a classificação do país em A+. O comunicado citou "crescimento mais fraco, custos de financiamento mais altos e déficit maior" desde a última avaliação, em agosto.
"Esses fatores pioram a dinâmica da dívida a partir de uma situação que já era frágil", afirmou a Fitch. "A fragmentação política persistente e um cenário social desafiador tornam mais difícil promover um ajuste fiscal duradouro."
A Fitch agora é a mais pessimista entre as três principais agências de classificação de risco. A S&P Global Ratings também atribui nota A+ à França, mas mantém perspectiva estável. Na semana passada, a Moody’s surpreendeu investidores ao manter a classificação do país em Aa3, com perspectiva negativa —um nível acima das notas atribuídas pelas concorrentes.
A economia francesa, a segunda maior da zona do euro, encolheu 0,1% no terceiro trimestre, em meio à forte alta dos custos de financiamento, aos preços elevados da energia e à crescente instabilidade política, informou o Banco Central Europeu nesta sexta.
O resultado contrariou as expectativas de economistas, que previam crescimento, e aumenta a pressão sobre o governo para aprovar, nos próximos meses, um Orçamento para 2027 que reduza o déficit.
"A avaliação da Fitch confirma a necessidade absoluta de adotar um Orçamento responsável até o fim do ano, com o objetivo de restabelecer as contas públicas por meio da redução do nosso déficit a 5%", afirmou o ministro das Finanças, Roland Lescure.
Ele acrescentou que o governo está "determinado a seguir o caminho da consolidação fiscal".
Investidores estão cada vez mais preocupados com a capacidade da França de administrar sua dívida crescente, que se aproxima de 120% do PIB . A apreensão ocorre seis meses antes de uma eleição presidencial acirrada, na qual a extrema direita lidera as pesquisas.
Os juros dos títulos soberanos franceses de dez anos, referência no mercado, estão em torno de 5%, enquanto a diferença em relação aos rendimentos dos papéis alemães —indicador importante da tensão política e financeira— aumentou para níveis não vistos desde a crise da dívida soberana da zona do euro, em 2011.