Bruno Chiomento, um contador suíço, observou que o presidente da Fifa, Gianni Infantino , havia se mudado da Suíça para Miami —onde estaria sujeito a impostos de renda mais altos— antes da Copa do Mundo de 2026.
A Fifa deveria compensar esse encargo tributário adicional até 2026, argumentou Chiomento. Os outros integrantes concordaram rapidamente, sem discussão, segundo documentos analisados pelo The New York Times . A Fifa seria responsável por pagar 100% dos impostos de Infantino ao governo dos Estados Unidos .
Há uma década, um escândalo internacional de corrupção quase levou ao fim a entidade que comanda o futebol mundial e catapultou Infantino ao poder. Em resposta, a Fifa introduziu amplas reformas de transparência, incluindo uma norma que exige a divulgação da remuneração de seus principais dirigentes.
Mas, para consternação de vários altos funcionários, o benefício fiscal aprovado na reunião de Bangcoc nunca foi divulgado em documentos oficiais, segundo papéis analisados pelo Times e duas pessoas a par do benefício, que pediram anonimato por não estarem autorizadas a discutir assuntos internos.
Quando a missão de três anos de Infantino nos EUA terminar, a Fifa terá pago cerca de US$ 4 milhões (aproximadamente R$ 21,8 milhões) em impostos dele. Infantino ganha aproximadamente US$ 6 milhões (cerca de R$ 32,7 milhões) por ano, segundo o relatório anual da entidade.
"Todos os regulamentos e processos internos da Fifa, bem como todas as leis aplicáveis, foram cumpridos", afirmou o órgão em nota. "A Fifa garante o cumprimento de todas as exigências fiscais e de prestação de informações."
A federação se recusou a dar mais detalhes sobre o acordo tributário com Infantino, mas acrescentou que quaisquer pagamentos à alta administração eram submetidos a auditoria independente.
Infantino tem provocado controvérsias nos últimos anos pela maneira como administra a principal instituição do esporte mais popular do mundo, incluindo sua aproximação com o presidente Donald Trump , suas negociações comerciais em nome da Fifa e os esforços para levar a Copa do Mundo à Arábia Saudita .
Agora, ele enfrenta sua maior crise, depois que veio à tona, em julho, que havia mantido conversas secretas para vender uma participação nos direitos da Copa do Mundo a uma empresa pertencente ao irmão de Jared Kushner , genro de Trump.