Alcançá-las é um dos objetivos centrais da Agenda de Imunização 2030, uma iniciativa global para garantir que todas as pessoas tenham acesso às vacinas de que precisam. A Gavi, a Aliança para Vacinas, estruturou sua estratégia em torno da identificação e do atendimento dessas crianças.
Para alcançar as crianças de dose zero, é preciso começar sabendo onde elas estão: colocando-as no mapa. A geografia oferece um ponto de partida: sua primeira lei afirma que objetos próximos entre si são mais semelhantes do que aqueles mais distantes.
Esse princípio fundamenta a saúde geoespacial, o estudo de como o local onde as pessoas vivem influencia sua saúde. Se sabemos algo sobre um lugar, muitas vezes podemos inferir o mesmo sobre as áreas vizinhas. Isso inclui estimar quantas crianças não vacinadas vivem em regiões não alcançadas por pesquisas.
Fazemos parte da equipe Reach-out, um projeto que busca desenvolver estratégias de baixo custo para levar vacinas às crianças de dose zero. Nossas áreas de especialização incluem epidemiologia espacial, economia da saúde e ciência da implementação.
Em um estudo recente, avaliamos como dados e métodos geoespaciais estão sendo usados para encontrar crianças de dose zero e quais lacunas ainda existem.
Analisamos 102 estudos realizados em 68 países de renda baixa e média-baixa, onde, segundo estimativas de cobertura vacinal da OMS (Organização Mundial da Saúde) e do Unicef, vivem mais de 80% das crianças de dose zero do mundo.