O controle do Senado, segundo o Cook Report, vai ser decidido em sete estados , mas a vantagem dos democratas nas pesquisas ainda se situa na margem de erro.
Em janeiro de 2027, o deputado Hakeem Jeffries , 56, atual líder da minoria democrata, deve ser empossado como primeiro negro a presidir a Câmara e o primeiro nativo do Brooklyn, em Nova York . Ao contrário da onipresente antecessora Nancy Pelosi, a mais poderosa mulher da história política dos EUA, que perdeu a presidência da Casa na derrota democrata de 2022, Jeffries ainda não é o rosto nacional da oposição —quase metade dos americanos admitiram, numa pesquisa recente , nunca ter ouvido seu nome.
O deputado circulou em vários estados, no final da campanha, aparecendo em comícios de candidatos identificados, como ele, com a ala moderada do partido. Apesar do destaque recente para candidatos insurgentes de simpatias socialistas, são os centristas disputando distritos atualmente dominados por republicanos que devem consolidar a recaptura da maioria.
O noticiário político de 2012, ano da primeira eleição de Jeffries como deputado federal, hoje soa quase pitoresco. "Hakeem Jeffries: O Barack Obama do Brooklyn?", indagava a manchete do jornal Washington Post . A resposta evidente, para quem comparou o deputado ao ex-presidente em comícios, nos últimos dias, é um inequívoco "não". Mas, se Jeffries nunca foi acusado de exalar carisma num palanque, ele tem deixado claro, recentemente, que confia em outros talentos para desafiar o presidente republicano.
"Ele tem o perfil ideal para isso," diz à Folha Steve Israel, ex-deputado que dirigia o braço eleitoral do partido, o Comitê de Campanha do Congresso e trabalhou próximo a Jeffries. "Quando ele chegou em Washington, logo me impressionou pelo desejo de se envolver com o apoio a candidatos e atuar de forma bastante prática. Há parlamentares que buscam projetos para aumentar sua visibilidade ou para arrecadar fundos. Hakeem estava interessado apenas no trabalho."
No entanto, a falta de protagonismo não é compatível com a presidência da Câmara e nota-se, na capital, uma interrogação entre os democratas sobre a capacidade do deputado de reinar sobre um partido com uma ala esquerda que já o desafiou abertamente.
Numa ironia típica do bazar político, o popular prefeito de Nova York, Zohran Mamdani , interferiu a favor de Jeffries forçando o vereador nova-iorquino Chi Ossé a desistir de desafiar a reeleição do líder da minoria neste ano. O mesmo socialista-democrático Mamdani cuja candidatura, no ano passado, tanto irritou Jeffries, que ele só o endossou como candidato oficial do partido quando a votação ia começar.