O local escolhido para a manifestação foi o mesmo onde moradores enfileiraram dezenas de corpos retirados de uma área de mata após a operação, em 28 de outubro de 2025. A ação, realizada nos complexos da Penha e do Alemão, deixou 122 mortos, entre eles cinco policiais.
Desta vez, a praça recebeu moradores, familiares das vítimas e integrantes de movimentos sociais, que soltaram balões brancos em memória dos mortos. O ato foi organizado pela Frente Penha, coletivo formado por moradores e organizações que atuam na região.
"Existe esperança, existem sonhos, existem crianças e jovens que precisam ser vistos por esse Estado. E hoje a gente está aqui mostrando isso", afirmou Tauã, uma das mães que participaram da mobilização.
Wellington estava entre os 117 civis mortos durante a operação. Um ano depois, as circunstâncias das mortes ainda são investigadas. Segundo o Ministério Público do Rio de Janeiro, 28 policiais militares foram denunciados à Justiça por crimes como roubo, furto, violação de domicílio, constrangimento ilegal e irregularidades no uso de câmeras corporais.
As denúncias, distribuídas em 12 ações penais, foram recebidas pela Justiça, mas não esclarecem, até o momento, as circunstâncias de todas as mortes. A investigação reúne laudos periciais, depoimentos e milhares de horas de gravações das câmeras utilizadas pelos agentes.
Em reportagem publicada pela Folha nesta quarta-feira, Tauã relatou que ainda guarda a mensagem em que Wellington pediu socorro antes de morrer.
Na manifestação, ela disse que a mobilização das mães busca impedir que outras famílias passem pela mesma experiência.
"Nós, mães, levantamos para gritar por justiça pelos nossos filhos, mas também lutar para que outras vidas não venham a ser tombadas e desvalorizadas pelo Estado, como foram os nossos filhos", afirmou.
A Operação Contenção mobilizou cerca de 2.500 agentes das polícias Civil e Militar em uma ofensiva contra o Comando Vermelho. A ação provocou confrontos, bloqueios de vias e a paralisação de serviços em diferentes regiões da cidade.
As imagens dos corpos levados por moradores à praça São Lucas, na manhã seguinte à operação, repercutiram internacionalmente. Familiares denunciaram possíveis execuções e abusos, enquanto as autoridades de segurança afirmaram que os mortos que não eram policiais haviam participado de confrontos com os agentes.