Companhia almeja chegar a faturamento de R$ 100 milhões por ano em 2027
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São Paulo Irritada pelos problemas financeiros e cansada de ver os filhos brigando por um pote de pasta de amendoim de qualidade sofrível, Juliana Maena fez uma receita caseira do produto com os R$ 10 que tinha no bolso.
A marca, depois batizada de La Ganexa, que criou na cozinha da casa em que moravam em Peruíbe, no litoral sul de São Paulo , em 2016, hoje é exportada para os Estados Unidos , a Argentina e a República Dominicana. Deve entrar no Paraguai e na Bolívia em 2017. Os produtos estão em todos os estados brasileiros, em cerca de 5.000 pontos de venda físicos.
O crescimento do segmento de saudabilidade faz com que projetem faturamento de R$ 100 milhões em 2027. A percepção é que existe um espaço de mercado a ser preenchido.
"Se você pergunta a qualquer pessoa qual é a maior indústria alimentícia do país, oito em cada dez respondem Nestlé . Se questão é qual é a maior de alimentos saudáveis, a maioria não sabe e, quando sabe, cita uma marca de suplemento, que não é alimento. Nós queremos ser a Nestlé dos alimentos saudáveis", afirma o diretor administrativo Allan Gomes de Souza, filho de Juliana.
O empreendimento também deu um propósito de vida para uma família que tentava se recuperar de uma tragédia. Cinco anos antes, a família havia perdido o pai, André Luís Gomes de Souza, investigador da Polícia Civil , morto em uma emboscada em Santo André, no ABC Paulista.
"Eu e minha irmã brigamos pela pasta porque gostamos de praticar esportes e o amendoim é muito nutritivo, fonte de gordura boa e proteico. Faltava dinheiro para a gente comprar. Minha mãe se cansou de ver a briga e fez uma pasta que era muito melhor do que a que a gente comprava", completa Allan.
Na La Ganexa, Juliana é a CEO, Allan é o diretor administrativo. A irmã com quem brigava pela pasta, Alline, é diretora de marketing. Allex, outro irmão, é diretor comercial.
Nos dois primeiros anos, o trabalho foi 100% informal. O patrimônio se resumia ao liquidificador usado por Juliana para produzir seis quilos de pasta, oferecidos em academias e aos amigos por WhatsApp . A resposta padrão era "não."
"Sabíamos que a cada cem portas em que batíamos, teríamos cinco vendas", afirma Allan, reconhecendo que tudo era amador. "A embalagem era feia, o rótulo não era bom e a caixa de embarque era reutilizada, porque não tínhamos dinheiro para algo melhor."
O pulo do gato aconteceu em 2021, no quinto ano de atividade, período em que cerca de 60% das microempresas encerraram as atividades, segundo dados do Sebrae . A La Ganexa rompeu a barreira do estado de São Paulo, lançou seu sabor mais vendido até hoje, o leitinho, e participou do programa de TV Shark Tank, voltado ao empreendedorismo.
Recebeu ofertas de sociedade de João Apolinário, CEO da Polishop , e de Carol Paiffer , fundadora do Hub Dinastia. A família declinou das duas propostas. No final de 2021, a receita anual chegou a R$ 2 milhões.
"Tudo o que arrecadávamos, era reinvestido", diz o diretor.
Se a ideia de vender pasta de amendoim nasceu por acaso, a de exportar também. Aconteceu quando o brasileiro Alex Alencar, um dos sócios do Camila's Restaurant, com unidades em Miami e Orlando, na Flórida, visitou a cunhada e experimentou a pasta de amendoim que estava sobre a mesa de jantar. Entrou em contato com Allan e, após algumas reuniões e visitas à fábrica em Peruíbe, fechou uma compra de R$ 40 mil.
Hoje, La Ganexa vende cerca de R$ 400 mil por ano para os Estados Unidos. A pesquisa atual é sobre como desenvolver doce de leite padrão argentino para comercializar no país vizinho que já recebe pasta de amendoim e alfajor da marca.
Ao todo, são 13 tipos de produto, com 50 variações de tamanho e sabor. Em 2024, inauguraram uma unidade fabril nova depois de dois anos de obras.
"Viramos La Ganexa produtos alimentícios. Percebemos que todo novo sabor de pasta que lançávamos, saía bem, mas tirava venda de outros sabores. Estávamos trocando de faturamento, não crescendo. Entendemos que precisávamos entrar em outros momentos no dia do consumidor: café da manhã, lanche da tarde, produto salgado, algum outro para comer com a pasta de amendoim... O céu é o limite", completa Allan.
São 48 funcionários da companhia que se tornou a mais relevante na economia da cidade de 68,3 mil habitantes. Apesar do crescimento, o papel central continua sendo da mãe, Juliana. Além de CEO, ela é a chefe operacional. Não está envolvida na produção, mas dá a palavra final no desenvolvimento de fórmulas, na criação de novos produtos e na qualidade. A ideia do logotipo e do nome também é dela.
Ganesha é deus do hinduísmo, conhecido como removedor de obstáculos e provedor da sabedoria, fortuna e novos começos. A família é toda evangélica, então não se trata de escolha religiosa. A ideia de Juliana era a simbologia. Trocou o "sh" do nome por um "x" porque a letra representa multiplicação. Como a empresa foi criada por uma mulher, foi colocado o "la" no começo para deixar claro que é um nome feminino.
"Quem diria, não é?", questiona ela nos almoços de domingo em família. "Uma briga resultou nisso."