Quantidade é equivalente ao que o Brasil, um dos dez maiores poluidores do mundo, emite anualmente
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Pequim | Reuters As exportações chinesas de tecnologias limpas neste ano reduzirão as emissões de carbono fora de suas fronteiras em um volume equivalente às emissões anuais do Brasil decorrentes do consumo de combustíveis fósseis, aponta uma análise divulgada antes da cúpula climática COP31, no próximo mês.
As exportações chinesas de painéis solares, turbinas eólicas, veículos elétricos e baterias ajudarão o mundo a evitar a emissão de 450 milhões de toneladas métricas de dióxido de carbono, gás responsável pelo aquecimento do planeta, segundo a análise do Centro de Pesquisa sobre Energia e Ar Limpo, sediado na Finlândia.
As emissões evitadas equivalem a 2% das emissões anuais mundiais fora da China, país que domina as cadeias de fornecimento de energia limpa, de veículos elétricos a baterias de lítio .
A China é, em termos absolutos, a maior emissora mundial de dióxido de carbono , mas os EUA são o maior emissor per capita e também o maior responsável histórico pela emissão de gases de efeito estufa. O Brasil está entre os dez maiores emissores.
As exportações chinesas de tecnologias limpas estão ajudando o mundo a evitar emissões, especialmente no Sul Global, onde contribuem para descarbonizar redes elétricas fortemente dependentes de combustíveis fósseis, constatou a análise.
O impacto dessas exportações está crescendo —as emissões evitadas aumentaram em relação aos 370 milhões de toneladas de CO2 do ano passado, volume superior ao emitido pelo Reino Unido com o consumo de combustíveis fósseis.
A maior parte das emissões evitadas veio de países do Sul Global, que ampliaram as importações da China e tornaram mais limpas suas redes elétricas altamente poluentes, segundo a análise. Muitos desses países ficam em regiões ensolaradas com grande potencial para a energia solar, de longe a maior fonte de emissões evitadas entre as exportações chinesas.
Segundo o relatório, os ganhos climáticos superaram o dióxido de carbono emitido na fabricação dos painéis solares, das turbinas e de outros equipamentos. A estimativa é que as importações de tecnologias limpas tenham levado cerca de seis meses para "compensar" as emissões geradas na fabricação.
O volume de emissões evitadas ao longo da vida útil dos equipamentos exportados pela China em 2026 —que, no caso de parques eólicos e solares, podem ser utilizados por décadas— deverá chegar a 8,4 bilhões de toneladas de CO2, o equivalente ao que Estados Unidos e Índia juntos emitem em um ano com combustíveis fósseis, afirmou o relatório.
Apesar das preocupações globais com a sobrecapacidade industrial da China e seu impacto sobre fabricantes de outros países, a análise concluiu que as exportações chinesas de tecnologias limpas, em seu conjunto, criaram novos mercados, em vez de deslocar produtores já estabelecidos.
No entanto, o forte aumento das exportações verdes derrubou os preços unitários e reduziu as receitas dos produtores já atuantes no mercado.
A China classificou as tarifas sobre tecnologias limpas como o novo obstáculo à ação climática e prometeu combatê-las na COP31.