'Explode': Vitória de Lula inspira mobilização de democratas nos EUA

"Obrigado aos brasileiros, vocês nos mostraram o caminho", escreveu nesta quarta-feira (4) no X Isaiah Martin, ativista político americano, após as vitórias históricas do Partido Democrata nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos

Por Admin ·

'Explode': Vitória de Lula inspira mobilização de democratas nos EUA

A mensagem foi acompanhada de uma expressão conhecida dos brasileiros: "Explode!", bordão popularizado pelo deputado federal André Janones (Avante-MG) durante a campanha presidencial vitoriosa do presidente Lula (PT).

Na véspera, Martin já havia recorrido à eleição brasileira para incentivar a participação dos americanos nas urnas . "Vote como um brasileiro hoje! EXPLODE!", publicou.

As mensagens fazem parte de uma mobilização nas redes sociais em que ativistas e influenciadores progressistas americanos passaram a citar a vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro (PL), em outubro, como exemplo para enfrentar o partido do presidente Donald Trump nas eleições legislativas.

A inspiração brasileira foi além das referências e dos bordões. Publicações voltadas aos eleitores americanos passaram a reproduzir estratégias de mobilização usadas durante a disputa presidencial no Brasil, com orientações para conversar com familiares e vizinhos, organizar caronas até os locais de votação e incentivar a participação nas urnas.

Janones comemorou a repercussão de seu bordão. "Somos internacionais", escreveu nesta quarta ao compartilhar as publicações de Martin em um grupo de mensagens ligado ao chamado "Exército do Lula", rede de mobilização digital criada durante a campanha presidencial brasileira.

Uma das contas que divulgaram as estratégias foi a Feminist, no Instagram, com cerca de 6 milhões de seguidores. O perfil reuniu sugestões de brasileiros sobre como conquistar votos e mobilizar eleitores, incluindo orientações semelhantes às divulgadas por Janones na campanha de Lula.

Entre elas estavam evitar interações com publicações de adversários políticos, conversar diretamente com pessoas próximas e garantir que amigos e familiares tivessem um plano para votar. Nos EUA, onde o voto não é obrigatório, convencer eleitores a comparecer às urnas é parte central das campanhas eleitorais.

O interesse dos americanos pela campanha brasileira ganhou força depois da vitória de Lula, que conseguiu reverter a vantagem de Flávio Bolsonaro no primeiro turno. O senador havia recebido 47% dos votos válidos na primeira etapa, contra 45,2% do petista. No segundo turno, Lula venceu por 51,8% a 48,2%.

Jessica Craven, também ativista política com mais de 700 mil seguidores no Instagram, também detalhou a estratégia do Exército do Janones. "Eles conseguiram uma vitória histórica conversando com as pessoas. Eles tinham WhatsApp com mais de 10 milhões de pessoas. Se uniram, se juntaram."

"Eles disseram: 'mostre para as pessoas porque elas deveriam votar nos democratas, não no Maga. O que os democratas estão oferecendo? Redução dos preços de gasolina, de alimentos, nos tirar da guerra do Irã. Eles querem se livrar da corrupção, precisamos deixar as pessoas cientes sobre isso!"

A virada no Brasil passou a ser apresentada por perfis progressistas americanos como exemplo de que seria possível mobilizar o eleitorado contra candidatos de direita, mesmo depois de um resultado inicial desfavorável.