O avanço representa uma perspectiva importante para pacientes que enfrentam dificuldades para obter um diagnóstico. Isso porque a hipertensão pulmonar pode provocar sintomas semelhantes aos de outras doenças, como falta de ar, cansaço e dificuldade para realizar atividades físicas.
O estudo, publicado na revista científica Nature Communications e divulgado nesta sexta-feira (23/10) pela Agência FAPESP , investigou cerca de 5 mil proteínas para encontrar sinais que pudessem indicar alterações na circulação sanguínea dos pulmões.
Embora os resultados sejam promissores, o exame ainda está em fase de pesquisa. Os cientistas precisam confirmar se essas proteínas permitem identificar, com segurança, quais pessoas realmente apresentam maior risco de desenvolver a doença.
Atualmente, a investigação da hipertensão pulmonar costuma começar com o ecocardiograma, exame que permite estimar a pressão nos vasos sanguíneos dos pulmões. Entretanto, a confirmação do diagnóstico exige um procedimento mais complexo, chamado cateterismo cardíaco direito.
Durante o cateterismo, um tubo fino é introduzido por uma veia e conduzido até o coração e a circulação pulmonar. O procedimento permite medir diretamente a pressão nesses vasos, mas não está disponível em todos os serviços de saúde .
É justamente nessa etapa que a descoberta brasileira poderá fazer diferença. Caso os resultados sejam confirmados em novos estudos, alterações específicas nas proteínas sanguíneas poderão ajudar os médicos a reconhecer pacientes que precisam de acompanhamento mais próximo.
A possibilidade não significa substituir os exames atuais, mas acrescentar uma ferramenta capaz de orientar a investigação antes da confirmação da doença.
A investigação foi conduzida pelo pesquisador Fernando Rabioglio Giugni , do Instituto do Coração (InCor), ligado à Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), durante seu pós-doutorado na University of Texas Southwestern Medical Center, nos Estados Unidos.
Os pesquisadores utilizaram uma técnica capaz de analisar milhares de proteínas simultaneamente. Primeiro, encontraram 22 associadas à pressão pulmonar. Depois, cruzaram os resultados com informações de pacientes submetidos a exames cardíacos e registros de saúde de um banco de dados britânico.
Ao final, dez proteínas apresentaram associação com o risco futuro de hipertensão pulmonar. Entre elas, a NOTCH3 chamou a atenção dos pesquisadores por apresentar evidências genéticas de possível participação no desenvolvimento da doença.
A descoberta também poderá contribuir para pesquisas sobre novos tratamentos , mas essa aplicação ainda depende de investigações adicionais.
O próximo desafio será desenvolver métodos confiáveis para medir os marcadores e validar os resultados em outras populações. Até o momento, não existe prazo para disponibilizar o exame para hipertensão pulmonar na prática clínica, e os procedimentos diagnósticos atuais continuam necessários.