Ex-presidente do Paraguai, Santiago Peña presta depoimento após ser colocado em prisão domiciliar

O presidente destituído do Paraguai Santiago Peña deixou o batalhão militar em Assunção onde passou a noite detido e foi prestar depoimento no Ministério Público, no centro da capital. Ele saiu da instalação militar por volta das 11h deste

Por Admin ·

Ex-presidente do Paraguai, Santiago Peña presta depoimento após ser colocado em prisão domiciliar

Peña havia sido detido em sua residência, nas imediações da capital paraguaia, ainda na noite de sexta-feira (6), após o Senado aprovar seu impechment . Sua destituíção coroa uma semana turbulenta, marcada pelo escândalo de fraudes envolvendo o Ueno Bank, principal banco digital do país , com 2,9 milhões de clientes —o país tem cerca de 7 milhões de habitantes.

Já na madrugada, manifestantes que se reuniam nas proximidades do imóvel em protesto levaram as autoridades do país a transferir o político para o Regimento Escola Presidencial, que fica em meio a outras unidades militares no bairro Ciudad Nueva.

A partir do depoimento do agora ex-presidente, as autoridades do país devem definir se Peña voltará para a unidade militar. A advogada Macarena Chilavert, 38, protestava em frente ao prédio do Ministério Público enquanto Peña prestava depoimento. "Tenham medo do povo paraguaio, o povo precisa ter memória e castigar esses corruptos nas próximas eleições. Eu não votei nesse economista, que diziam que era um gênio e agora está detido", disse ela em um megafone.

O funcionário público Carlos Sosa, 69, saiu de casa, próximo do prédio do órgão público, segurando um cartaz improvisado com a frase "Um por um, todos têm que cair". "Estou indignado e vim para protestar, pois não é só Peña, são todos eles desse grupo", afirma. "Tive depósitos no Ueno, saí por ter percebido que havia algo estranho ali, era muito dinheiro que ninguém sabia de onde vinha."

Na esteira do escândalo do Ueno Bank, a Justiça investiga o político por supostos atos de lesão à confiança, tráfico de influência e administração em proveito próprio. A investigação respingou em Peña , ex-investidor da holding do banco e responsável por, em 2023, nomear Carlos Carvallo Spalding, então presidente-executivo da companhia, para a presidência do Banco Central. Carvallo renunciou ao cargo nesta semana.

O presidente é acusado de favorecer o Grupo Vázquez, controlador do Ueno, e de omissão na fiscalização por parte do Banco Central. Peña supostamente teria intervindo de maneira indevida no órgão que administra as aposentadorias e a saúde dos trabalhadores. O Ueno Bank administrava quase R$ 4,5 bilhões em recursos públicos, incluindo da Previdência.

Além do depoimento previsto para este sábado, o Ministério Público vai investigar mais provas para determinar a extensão das responsabilidades de Peña.