Elaine Lourenço Menezes Nunes, que disputa a herança e os negócios do ex-marido, foi até o local com um grupo de homens armados, entre os quais estavam policiais militares. Eles renderam o porteiro e entraram no pátio para tomar o espaço e assumir a operação, segundo a investigação. A polícia foi chamada e prendeu a mulher em flagrante.
Nesta sexta-feira (6), a Justiça do Rio converteu a prisão de Elaine em preventiva. Esse tipo de detenção não tem prazo e dura enquanto o Judiciário considerar que a ré representa risco para o processo ou para a sociedade.
A Folha não teve acesso ao processo judicial. A Polícia Civil não informou se Elaine constituiu advogado. A reportagem também não conseguiu identificar a defesa dela. O Tribunal de Justiça do Rio afirmou que a ata da audiência de custódia não estava disponível para consulta.
A Polícia Militar afirmou que os agentes envolvidos na ocorrência não foram presos, mas ouvidos na delegacia e liberados. A 2ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar, subordinada à Corregedoria-Geral da corporação, instaurou um procedimento para apurar as circunstâncias do episódio.
Segundo a investigação, Elaine foi até a empresa, localizada na avenida Brasil, acompanhada de um grupo de homens. Imagens de câmeras de segurança mostram funcionários sendo revistados e um dos integrantes do grupo recolhendo as chaves da portaria.
Ainda de acordo com os investigadores, funcionários foram ameaçados durante a ação. Também houve danos ao sistema de câmeras de segurança e o roubo do celular de uma trabalhadora.
O leiloeiro Rogério Menezes Nunes morreu em 22 de outubro, aos 62 anos, devido ao agravamento de um câncer. Na atividade desde 1989, ele atuava na venda de veículos, imóveis, máquinas e equipamentos.
Após a morte, a administração dos negócios passou a ser alvo de uma disputa envolvendo Elaine e Juliana de Andrade Souza, que afirma ter sido companheira de Nunes até a morte.
Elaine reivindica direitos sobre o patrimônio e os negócios do ex-marido. A disputa envolve quem teria legitimidade para administrar a empresa.
A advogada Paula Mayara Mendes da Silva, que já representou Juliana em um processo judicial, foi procurada pela reportagem por volta das 15h desta sexta-feira (6), por meio do WhatsApp do escritório, mas não havia respondido até a publicação deste texto.
A investigação criminal está sob responsabilidade da 36ª DP (Santa Cruz). Segundo a Polícia Civil, as diligências continuam para apurar a possível ocorrência de outros crimes.