"O povo decide nas urnas e sua vontade é respeitada. Esse é o princípio fundamental de toda democracia. Temos profundas diferenças políticas com o novo governo do Brasil, mas nossos países compartilham uma história, interesses estratégicos e enormes oportunidades de cooperação", disse ela.
"E sobre Flávio, que fez uma enorme escolha, quero fazer uma reflexão sobre a qualidade da democracia. É importante que a democracia não seja binária: quem ganha governa e quem perde vai para a cadeia. A utilização de uma Justiça não imparcial como instrumento para eliminar a oposição é uma ferramenta de poder que nunca pode ser o caminho de uma democracia", afirmou.
O governo do ultraliberal se recusou a reconhecer a vitória de Lula e se limitou a dizer que "tomou nota" do resultado eleitoral brasileiro.
Bullrich deixou o governo em dezembro do ano passado para assumir como líder do partido de Milei, A Liberdade Avança, no Senado pela Cidade Autônoma de Buenos Aires. Ela é o primeiro membro da sigla a reconhecer a vitória de Lula, ainda que não tenha nomeado o petista na publicação.
A senadora tem tentado se distanciar de Milei nos últimos dias. Na segunda-feira (26), após a eleição de Lula, Bullrich decidiu não participar de uma reunião de gabinete de Milei . Inicialmente, a Casa Rosada justificou a ausência da senadora por "questões pessoais".
Segundo o jornal Clarín, no entanto, os motivos de Bullrich teriam sido Milei "cruzando limites" em ataques à imprensa e uma preocupação de que o governo argentino tentaria sustentar a ideia de que as eleições no Brasil foram fraudadas.
Flávio deixou o Brasil pela fronteira terrestre com a Argentina na noite desta terça-feira (27) acompanhado da esposa e das duas filhas. Ele usou passaporte italiano e não passou por posto de controle da Polícia Federal (PF), algo que não é obrigatório para saída de brasileiros por fronteira terrestre.
Depois, o senador se dirigiu aos Estados Unidos em uma aeronave particular, com escala no Equador.
O jato privado usado por Flávio é operado pela Baires Fly S.A., empresa citada em uma investigação sobre suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo contratos públicos de medicamentos e insumos médicos na Argentina.
O suposto esquema de corrupção causou, em 2025, escândalo no governo Milei e levou à demissão de Diego Spagnuolo, ex-diretor da Agência Nacional de Deficiência que já foi advogado e pessoa próxima do ultraliberal.
A saída de Flávio Bolsonaro do Brasil foi confirmada nesta quarta-feira (28) pela Direção Nacional de Migrações argentina. Segundo o órgão, o senador e familiares entraram no país por via terrestre, pela Ponte Internacional Tancredo Neves, às 22h50 de terça-feira (27).
Às 23h30, embarcaram em um voo privado operado pela Baires Fly com destino a Guayaquil, no Equador, conforme o plano de voo apresentado às autoridades. A aeronave utilizada é um Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW. Depois da parada no Equador, o senador continuou a viagem até Miami, nos Estados Unidos , onde desembarcou às 10h23 do horário de Brasília .