A ação faz parte do projeto Pioneiras nas Escolas , que começou na quarta-feira (21/10), na Escola Municipal Juan Antonio Samaranch, em Santa Teresa. Mais de 100 alunas participaram do primeiro encontro com antigas integrantes da equipe nacional.
As estudantes conheceram Marisa Pires , Maria Lúcia Lima e Marilza Martins , conhecidas como Caju , Fia e Pelezinha . As atletas falaram sobre suas carreiras, o preconceito enfrentado e os obstáculos que precisaram superar para continuar jogando .
A proposta também levou as meninas ao campo. Quatro equipes femininas disputaram um minitorneio, enquanto os colegas acompanharam as partidas das arquibancadas.
A presença das ex-jogadoras nas escolas aproxima as alunas de um período em que mulheres não tinham liberdade para praticar futebol no Brasil. Entre 1941 e 1979 , restrições legais impediram a participação feminina na modalidade.
A proibição começou com o Decreto-Lei nº 3.199 , que restringia esportes considerados incompatíveis com a natureza feminina. Em 1965, o Conselho Nacional de Desportos incluiu expressamente o futebol entre as modalidades vetadas. A regulamentação só ocorreu em 1983, quatro anos depois do fim da proibição.
Entre as convidadas, Fia integrou a Seleção durante cinco anos e participou da primeira Copa do Mundo Feminina, em 1991, e da estreia da modalidade nos Jogos Olímpicos, em 1996 . Já Caju defendeu o Brasil entre 1988 e 1999 e hoje atua como árbitra.
As experiências mostram às estudantes uma trajetória construída em meio a dificuldades que iam além das partidas, incluindo discriminação e falta de reconhecimento.
O projeto é coordenado pela ex-jogadora Duda Luizelli e tem a Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro como parceira. A programação prevê dez encontros presenciais, com palestras, atividades de integração e práticas esportivas.
O contato com as pioneiras também chegou à Escola Municipal Jornalista Carlos Castelo Branco, em Paciência, na zona oeste, na sexta-feira (23/10). Caju, Fia e Fanta conversaram com estudantes sobre as dificuldades do início da carreira e a importância de continuar estudando.
Nesse encontro, Fia contou que precisou interromper os próprios estudos durante sua trajetória esportiva. A ex-atleta incentivou as meninas a conciliarem a educação com o esporte , para que tenham oportunidades também fora dos campos.
A primeira escola atendida, Juan Antonio Samaranch, integra o modelo de Ginásio Experimental Olímpico desde 2012. A unidade reúne cerca de 600 estudantes, de 11 a 15 anos, e oferece treinamento em 19 modalidades esportivas.
A programação ocorre enquanto o Rio de Janeiro se prepara para receber jogos da Copa do Mundo Feminina de 2027 . Para as estudantes, os encontros oferecem a oportunidade de conhecer pessoalmente mulheres que participaram da construção dessa história.
Com novas atividades previstas, o projeto mantém o futebol feminino nas escolas como espaço de aprendizado sobre esporte, educação e as barreiras enfrentadas por gerações anteriores.