Os reservatórios europeus de armazenamento de gás natural estavam 75% cheios no fim de outubro, bem abaixo da meta mínima de 80% estabelecida pela União Europeia e no menor nível em mais de uma década, informou a AIE.
Vários fatores explicam a situação. Instalações de liquefação de gás natural no golfo Pérsico foram danificadas na guerra entre EUA e Irã, enquanto o trânsito pelo estreito de Hormuz, por onde passava 20% da produção mundial de petróleo e gás antes do conflito, foi reduzido.
Além disso, os países europeus estão reabastecendo seus reservatórios a partir de níveis baixos registrados no fim da temporada de aquecimento, na primavera (outono no Brasil).
Inicialmente, os compradores adiaram a formação de estoques na esperança de que os preços caíssem.
As entregas aumentaram em agosto, setembro e outubro, mas não o suficiente para compensar o atraso, informou a AIE.
O volume de gás injetado nos reservatórios nesta temporada ficou cerca de 4% abaixo da média dos últimos cinco anos, segundo a agência.
Isso torna os países europeus mais dependentes da obtenção de remessas adicionais de GNL (gás natural liquefeito) para atender aos picos de demanda.
Também pode deixá-los mais vulneráveis caso o inverno seja mais frio do que o normal, ocorram problemas técnicos na rede de gás ou haja dificuldades de abastecimento, afirmou a AIE.
A Alemanha insistiu na segunda-feira que terá gás suficiente para o inverno, apesar de não ter atingido a meta de armazenamento.
As instalações alemãs de armazenamento de gás estão, em média, 61% cheias, segundo a agência federal que supervisiona a infraestrutura e os mercados de energia do país.
O nível está abaixo da meta legal de 70% até 1º de novembro. Também fica aquém da média da União Europeia, de quase 75%, segundo a plataforma de monitoramento de estoques AGSI.