EUA negociam transição na Venezuela com Delcy e sem Corina

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Por Admin ·

EUA negociam transição na Venezuela com Delcy e sem Corina

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María Corina Machado , principal liderança da oposição da Venezuela, está no Panamá e fora da mesa que negocia a transição política em Caracas. Delcy Rodríguez , número dois do antigo regime, continua no Palácio de Miraflores, mas com os postos de ditadora e principal interlocutora venezuelana de Washington.

Nesta semana, María Corina resolveu elevar o tom. Em entrevista ao The New York Times , acusou Alejandro Betancourt de "corrupção obscena". O empresário acaba de se tornar um dos principais parceiros da administração Donald Trump no petróleo venezuelano e fechou um acordo que lhe dá controle sobre cerca de um quinto das reservas do país.

É uma crítica delicada. María Corina tenta preservar sua relação com Trump e Marco Rubio ao mesmo tempo em que Washington conduz uma transição muito diferente daquela imaginada por ela e seu grupo.

Os EUA mantiveram Delcy no poder depois da queda de Maduro, e a opositora diz não ter sido incluída nas negociações atuais. Ela afirma ter tentado voltar sete vezes à Venezuela, por ar, mar e terra, sem conseguir.

Questionada sobre a aposta americana em Delcy, disse compreender a lógica de uma transição gradual, embora acredite que poderia ter sido feita sem a número dois do regime. E resumiu sua posição numa frase: "Mas é o que temos, e aqui estamos."

Outra peça em lugar inesperado é Dinorah Figuera. A ex-deputada voltou à Venezuela depois de anos no exílio e hoje lidera a delegação opositora que negocia com o chavismo, com respaldo dos EUA. Marco Rubio a recebeu em Washington na semana passada.

Figuera preside a Assembleia Nacional de maioria opositora eleita em 2015. Sua legitimidade, porém, vem dessa institucionalidade, e não do mandato político mais recente construído em torno de María Corina e Edmundo González na eleição de 2024.

Daí uma das ironias do novo arranjo: a mesa da qual María Corina não participa discute justamente a retirada das inabilitações políticas , incluindo a dela, para uma futura eleição. Também estão em negociação mudanças nas regras e instituições eleitorais. Data para a votação, por enquanto, não há.

Do outro lado da mesa está Jorge Rodríguez, irmão de Delcy e presidente da Assembleia Nacional. Nesta semana, os EUA retiraram as sanções contra o dirigente chavista.

Enquanto antigos integrantes do regime encontram espaço no novo arranjo, Maduro e Cilia Flores seguem outro caminho. Na quinta-feira, os dois compareceram a um tribunal em Manhattan e se declararam inocentes da nova acusação de conspiração para cometer tortura . O casal responde a outras acusações na Justiça americana.