Trégua comercial firmada por Trump e Xi no fim de 2025 tem validade até 10 de janeiro
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Washington | Financial Times Os Estados Unidos cobraram a China a cumprir os termos da trégua na guerra comercial firmada por Donald Trump e Xi Jinping em Busan no ano passado , em meio à frustração com o fato de Pequim não estar honrando seus compromissos relativos às exportações de terras raras.
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, e o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, transmitiram a mensagem em uma ligação na manhã de sexta-feira (6) com He Lifeng, vice-primeiro-ministro chinês responsável pelas negociações comerciais com Washington.
"O secretário Bessent enfatizou a importância de a China implementar imediatamente os compromissos assumidos em Busan e manifestou preocupação com ações recentes do país", afirmou o Tesouro em um comunicado sobre a conversa obtido pelo Financial Times.
"Ele ressaltou que a continuidade dos avanços depende de resultados concretos e que os EUA avaliarão atentamente a implementação do acordo pela China", acrescentou.
A trégua de Busan, acertada na cidade portuária sul-coreana em outubro de 2025, expira em 10 de janeiro. Quando Xi visitou Washington em setembro, os dois lados prorrogaram o prazo original em dois meses, até janeiro de 2027, depois que os negociadores não conseguiram solucionar as divergências entre os países.
Uma autoridade dos EUA afirmou que Bessent e Greer deixaram claro que Trump considerava a situação uma "prioridade" e que a China precisava cumprir as promessas feitas em Busan.
Em uma publicação no X (ex-Twitter) mais tarde na sexta-feira, Greer afirmou: "Ressaltei a importância crucial de a China adotar medidas concretas para implementar plenamente seus compromissos anteriores, sobretudo os relacionados a compras agrícolas, terras raras e outros minerais essenciais".
O alerta ocorre duas semanas antes do encontro previsto entre Trump e Xi em Shenzhen, onde a China sediará a cúpula da Cooperação Econômica Ásia -Pacífico. O Financial Times informou na semana passada que Xi poderá receber Trump e o presidente da Rússia, Vladimir Putin, para uma reunião trilateral.
Não se espera que a questão comercial ocupe grande parte da reunião entre Trump e Xi em Shenzhen, mas ela quase certamente será discutida com mais detalhes quando os presidentes dos EUA e da China se encontrarem no G20, em Miami, em dezembro.
Bessent e Greer devem se reunir pessoalmente com seus homólogos chineses em algum momento entre a Apec e o G20.
Em setembro, autoridades dos EUA disseram ao FT que a China estava cumprindo apenas dois terços de sua promessa de Busan relativa às terras raras. Uma pessoa a par da situação afirmou que Pequim não havia aumentado o fornecimento de terras raras desde que Bessent manifestou suas preocupações diretamente a He, em Nova York, em setembro, antes da reunião de Xi com Trump em Washington.
A China rejeitou as alegações dos EUA de que não está cumprindo seu compromisso relativo às terras raras. Os EUA concluíram que a China está honrando as promessas de compras de soja, mas não cumpriu o prometido quanto a outros produtos agrícolas.
Os EUA também estão preocupados com as restrições chinesas à exportação de ítrio —uma terra rara essencial para tudo, de motores a jato a mísseis— ao Japão, que produz componentes para produtos fabricados nos Estados Unidos. Empresas japonesas alertaram o governo de seu país de que os estoques estão chegando a níveis perigosamente baixos.
Craig Singleton, especialista em relações entre EUA e China da Fundação para a Defesa das Democracias, um centro de estudos, afirmou que o alerta do Tesouro a Pequim foi feito em "linguagem diplomática bastante incisiva".
"Washington parece não estar disposto a negociar novas concessões até que Pequim cumpra os compromissos existentes", acrescentou. "Se os dois lados não conseguem sequer chegar a um consenso sobre o que já prometeram um ao outro, prorrogar a trégua pode se tornar consideravelmente mais complicado."
A embaixada chinesa em Washington afirmou que Pequim divulgará uma declaração sobre a ligação "no momento oportuno".
"Os dois lados precisam avançar na mesma direção, aderir ao benefício mútuo e a resultados vantajosos para ambos, além de promover o desenvolvimento e a melhoria contínuos e estáveis dos laços econômicos e comerciais entre China e EUA", afirmou Liu Chang, porta-voz da embaixada.
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