EUA anunciam força-tarefa para ampliar bloqueio e conter envio de armas ao Irã

Os Estados Unidos anunciaram neste sábado (7) a criação de uma força-tarefa militar para ampliar o bloqueio ao Irã e dificultar a entrada de armas e outros materiais sujeitos a sanções internacionais no país. A unidade terá como alvo rotas

Por Admin ·

EUA anunciam força-tarefa para ampliar bloqueio e conter envio de armas ao Irã

Batizada de Força-Tarefa Portão de Ferro, a unidade terá sede em Tampa, na Flórida. Além de combater o transporte de sistemas de armas avançados, a operação pretende interromper o fluxo de tecnologias de uso duplo, que podem ter aplicações civis e militares, e conter fontes de receita que Washington considera ilegais.

A criação da força-tarefa é mais uma tentativa do governo americano de aumentar a pressão sobre Teerã, mais de oito meses após o início da guerra contra a República Islâmica, travada em conjunto com Israel.

Embora os ataques americanos tenham causado danos severos às Forças Armadas iranianas e o bloqueio naval tenha restringido as exportações de petróleo bruto do país, o Irã continua representando uma ameaça para a região. Ao mesmo tempo, seus líderes reforçaram o controle sobre o território.

Uma investigação da agência de notícias Reuters apontou que o Irã montou uma rede clandestina de agências militares para importar pelo menos US$ 2 bilhões em equipamentos, explosivos e caminhões pesados desde janeiro de 2025, contornando o bloqueio naval americano e as sanções ocidentais.

Segundo a investigação, os materiais chegaram ao país por diferentes rotas: em navios cargueiros vindos da Rússia pelo mar Cáspio, em caminhões provenientes da Ásia Central e em aviões de carga originários da China.

O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom), responsável pelas operações militares americanas no Oriente Médio, informou que a nova força-tarefa coordenará suas ações com outras agências governamentais. Um oficial militar americano, que falou sob condição de anonimato, disse que a articulação deverá envolver os departamentos do Tesouro, de Estado e de Justiça, além do setor da inteligência americana.

"O fortalecimento da colaboração do Centcom com os parceiros interinstitucionais dos EUA restringirá ainda mais a capacidade do Irã de financiar o terrorismo, reconstruir fábricas de armas e reabastecer suas forças armadas", escreveu o almirante Brad Cooper, comandante americano, em comunicado.

O comando militar estima que o bloqueio naval impediu o Irã de exportar mais de US$ 25 bilhões em petróleo bruto

O Irã tem demonstrado capacidade de resistência e comemorou os resultados das eleições de meio de mandato nos EUA, nas quais o Partido Republicano, do presidente Donald Trump, sofreu derrotas que deram aos democratas o controle do Congresso.

O vice-presidente americano, J. D. Vance, atribuiu à guerra contra o Irã parte da responsabilidade pelo revés eleitoral e pareceu questionar se o conflito havia valido a pena.

Nos últimos dias, mediadores intensificaram os esforços para encerrar a guerra entre Washington e Teerã, em meio ao temor de que o conflito seja retomado após as eleições americanas.

Trump, porém, tem ameaçado lançar uma nova ofensiva contra o Irã. As declarações mantêm os países do Golfo em alerta, uma vez que Teerã prometeu responder com ataques de grande escala contra infraestruturas na região.