A pesquisa é realizada por alunos da Escola Municipal Afonso Pena , localizada no povoado Km 1.700, na zona rural de Imperatriz. O trabalho investiga maneiras de transformar resíduos da produção local em materiais úteis , incluindo borrachas escolares.
Uma das descobertas relatadas pelos estudantes envolve o tratamento da matéria-prima: a fibra torrada é considerada mais indicada para borrachas escolares , enquanto a versão natural apresenta possibilidades de uso em outros produtos.
O desenvolvimento faz parte do projeto Biochar de Açaí+ , que reúne pesquisas sobre o aproveitamento do fruto. Segundo informações divulgadas pela Prefeitura de Imperatriz nesta sexta-feira (06/11), os materiais ainda são protótipos, e não produtos fabricados comercialmente.
A ideia surgiu durante uma visita dos estudantes a uma fábrica de café de açaí. Eles observaram que, após o processamento, parte das fibras era jogada no chão por não ser utilizada na bebida . O descarte despertou o interesse do grupo, que passou a investigar como transformar aquele resíduo em borrachas escolares.
A descoberta levou os alunos a explorar uma aplicação diferente daquela inicialmente estudada pela escola. O grupo já pesquisava alternativas para resíduos encontrados na comunidade, mas passou a investigar também a possibilidade de produzir materiais escolares.
Entre os participantes está Gabriela Nascimento , estudante do 9º ano e filha de uma família ligada ao extrativismo. Ela explicou que o desenvolvimento do material foi um dos maiores desafios da pesquisa, pois a equipe trabalhava inicialmente com o biochar, um material obtido da biomassa e estudado para aplicação no solo.
As investigações também incluem possibilidades de uso das fibras em calçados, brinquedos e caixas. Essas aplicações, porém, ainda precisam ser diferenciadas de produtos efetivamente fabricados e disponíveis no mercado.
A trajetória do projeto começou antes da divulgação dos novos detalhes sobre as borrachas. Em 2024, a Escola Municipal Afonso Pena conquistou o primeiro lugar na Mostra de Ciência e Tecnologia do Instituto Açaí, realizada em Belém, no Pará.
No ano seguinte, o trabalho foi apresentado na 22ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia , em Brasília. Gabriela participou da apresentação, acompanhada pela professora orientadora Ocirene Cardoso Souza, levando a pesquisa desenvolvida na comunidade rural a um evento nacional.
O projeto também envolve o estudante Caio Silva , que relatou atividades laboratoriais realizadas na Unisulma. Parte das análises examinou características do biochar, como pH, porosidade e resistência, mas esses resultados não devem ser confundidos com uma certificação comercial das borrachas.
Por enquanto, a borracha de açaí permanece na fase experimental . A pesquisa demonstra uma possibilidade de aproveitamento das fibras descartadas, mas ainda não há confirmação de produção em escala, distribuição para escolas ou prazo para comercialização.