O presidente Abelardo de la Espriella demitiu seu ministro do Interior, Rodrigo Lara, após um erro de procedimento anular a votação do Orçamento da Colômbia no Congresso e levar o governo a promulgar a lei de despesas por decreto —e com mudanças em relação ao texto original.
"Agradeço ao dr. Rodrigo Lara Restrepo por seu serviço à Colômbia", escreveu o líder em seu perfil no X, antes de anunciar o novo nome para a pasta: Alejandro Ordóñez Maldonado, atual embaixador do país na OEA (Organização dos Estados Americanos). "Sua experiência, caráter e trajetória serão fundamentais para enfrentar os grandes desafios da nossa nação."
O imbróglio que resultou na primeira demissão de um ministro do presidente ultradireitista, no cargo há quase três meses, teve início há dois dias, quando a Câmara de Deputados e o Senado aprovaram dois textos diferentes para o Orçamento na madrugada de terça-feira (20). O erro foi apontado pela oposição.
Ao longo do debate, o senador governista Juan Caicedo retirou uma proposição que havia feito ao artigo 65, que trata de dois fundos: um para regular o preço dos combustíveis e outro para regular finanças públicas. No entanto, a Câmara seguiu com o trecho, e a discrepância passou despercebida pelos ministros da Fazenda e do Interior, que estavam na Casa no momento do erro.
A opositora Esmeralda Hernández foi a primeira a notar. "Derrubamos o Orçamento de Abelardo!", anunciou a senadora em sua conta no X na noite de terça. "Após uma revisão rigorosa, [...] constatamos que a Câmara e o Senado aprovaram textos diferentes, sem a conciliação obrigatória. Pelo afã de aprová-lo às pressas, acabaram fazendo errado, à meia-noite e de costas para o país."
Outras críticas vieram na sequência. "Onde fica a responsabilidade dos advogados do Ministério da Fazenda? O trabalho da Câmara e do Senado foi perdido por falta de cuidado e rigor de funcionários do governo", afirmou, por exemplo, Octavio Cardona, deputado pelo Partido Liberal.
A questão abriu uma crise no governo pela importância do assunto. A lei é a mais importante a ser apresentada pelo Executivo na Colômbia, já sob desconfiança de alguns setores por estar sendo chefiado por Espriella, um advogado que estreou sua carreira pública em agosto , no cargo da Presidência.
O problema se tornou ainda maior porque o dia 20 de outubro era a data limite para a aprovação do texto, e o erro foi descoberto apenas algumas horas antes do prazo —tempo insuficiente para uma nova discussão no Congresso.
Nesse cenário, o governo tinha três opções: 1. sancionar um dos textos e esperar que a Corte Constitucional se pronunciasse; 2. aprovar o documento como ele chegou ao plenário (ou seja, após passar pelas comissões econômicas do Senado e da Câmara em setembro) e acrescentar as modificações acordadas no Legislativo em sessões extraordinárias posteriores; ou 3. promulgar o Orçamento por decreto.
Espriella escolheu a terceira opção, o que acabou se tornando providencial em alguns aspectos.