Espécie invasora, peixe-leão se espalha no Nordeste, e especialistas alertam:

31/10/2026 03h30 Atualizado 31/10/2026 03h30 Espécie invasora e predador voraz com alto potencial de prejudicar o equilíbrio marinho, o peixe-leão ( Pterois volitans ) vem se espalhando em larga escala no Nordeste e está perto de chegar ao

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Espécie invasora, peixe-leão se espalha no Nordeste, e especialistas alertam:

31/10/2026 03h30 Atualizado 31/10/2026 03h30

Espécie invasora e predador voraz com alto potencial de prejudicar o equilíbrio marinho, o peixe-leão ( Pterois volitans ) vem se espalhando em larga escala no Nordeste e está perto de chegar ao Sudeste. Neste ano, houve aparições e acidentes registrados no Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas, Pernambuco e no sul da Bahia, inclusive em importantes parques ecológicos, como Abrolhos. Oceanógrafos criticam a falta de monitoramento sobre a espécie, enquanto programas pontuais de captura, por governos estaduais e prefeituras, tentam conter o seu avanço.

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Nessa quarta, 138 peixes-leão foram capturados em uma operação realizada com mergulhadores da empresa Sea Paradise em Fernando de Noronha, onde há a maior ocorrência no país. No local, existe o principal programa de combate à espécie no território brasileiro, conduzido pelo governo estadual de Pernambuco, que usa mergulhadores profissionais, com acompanhamento do ICMBio.

Desde agosto, houve 27 ações de captura, alcançando 391 exemplares da espécie. Além da Sea Paradise, mergulhadores da Atlantis, Águas Claras e Noronha Dive também atuam no arquipélago, pelo programa com orientação técnica do ICMbio.

Primeiro Arraial do Cabo, depois Noronha

O primeiro registro oficial da espécie no Brasil é de 2014, em Arraial do Cabo (RJ). Não há confirmação de como ela chegou, mas a hipótese mais aceita pela ciência é de dispersão natural, através de larvas transportadas pelas correntes oceânicas desde o Caribe. Não se descarta, porém, a ação humana, como introdução acidental ou deliberada de um animal mantido em cativeiro.

O crescimento populacional da espécie, no entanto, foi registrado só a partir de 2020, em Fernando de Noronha. O peixe-leão é nativo da região indo-pacífica, não possui predadores naturais conhecidos no litoral brasileiro e pode exercer forte pressão sobre espécies nativas. Seus espinhos também liberam uma toxina capaz de provocar em seres humanos dor intensa, vermelhidão e febre. Em casos mais graves, isso pode evoluir até para convulsões.

Por se adaptar facilmente em qualquer ambiente, se reproduzir rápido, ser um predador voraz de espécies endêmicas menores — podendo consumir até 20 peixes em apenas 30 minutos — e competir por alimentos, ele é considerado um invasor de alto potencial danoso. Por isso, sua captura costuma ser autorizada pelo ICMBio e incentivada por órgãos ambientais. Um dos locais mais vulneráveis à sua presença são os recifes, onde pode haver redução importante da biodiversidade, segundo o próprio ICMBio.

— Infelizmente é uma praga que continua se alastrando e aumentando — afirma Marcelo Soares, oceanógrafo do Instituto de Ciências do Mar, conhecido como Labomar, da Universidade Federal do Ceará.

Somente neste ano, houve registros de capturas ou acidentes com pescadores e banhistas no Ceará , Paraíba, Alagoas, Bahia e Rio Grande do Norte, além de Fernando de Noronha. Soares destaca atenção especial às aparições recentes da espécie em Abrolhos, no sul baiano, onde há o maior complexo de recifes de coral do Brasil e de todo o Atlântico Sul.

— O pessoal ainda está encontrando poucos lá, mas em Noronha, onde ele já tá estabelecido há seis anos, é uma praga geral — explica Soares, que alerta para o risco de invasão ao Sudeste. -- O próximo passo é tomar as águas do Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo. Quando isso acontecer, vai ser o caos.

O biólogo Tommaso Giarrizzo, também do Labomar, criticou a falta de monitoramento sobre a espécie no país e teme a chegada ao Sudeste.

— O Sudeste tem muitas áreas sensíveis do ponto de vista ecológico, com risco para espécies endêmicas. Além disso, quanto mais se amplia a área invadida, mais caro vai ser qualquer ação de controle. É até difícil dizer se está piorando o problema, porque não tem monitoramento. Melhorar sozinho não vai. Sabemos quanto problema pode gerar, mas, infelizmente, os governos não estão apoiando em termos de recursos — diz.

Até agora, os principais programas de controle são locais, como no arquipélogo de Fernando de Noronha, e na cidade de Porto Seguro, onde a prefeitura paga R$ 10 por exemplar de peixe-leão capturado. Somente em agosto, primeiro mês do incentivo, 442 exemplares foram entregues ao projeto, segundo a Secretaria Municipal de Meio Ambiente. Em setembro, foram outros 524.

— Não adianta (programas locais) se você não monitora e não vê quanto é o tempo de recolonização de novos indivíduos, qual é a área de abrangência da ocupação dessa espécie invasora, quais os impactos em cima das espécies nativas. Não há estudo, a realidade é essa — lamenta.

Praia de Iparana, em Caucaia: Segundo a Colônia de Pescadores Z-07, mais de 100 exemplares já haviam sido encontrados e retirados por pescadores da região desde o começo de 2025. Em um único dia, um pescador teria capturado 12 animais. Parque Estadual Marinho da Pedra da Risca do Meio, em Fortaleza: ações de monitoramento e captura realizadas pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente já tinham retirado 37 exemplares até junho. Icapuí: pescadores fizeram registros recentes da espécie na região da APA Berçários da Vida Marinha. Acidentes: a Secretaria da Saúde do Ceará contabilizou 23 acidentes ou ocorrências relacionadas ao peixe-leão entre 2022 e 18 de junho de 2026. Seis neste ano, incluindo efeitos adversos associados ao consumo da espécie.

Houve 64 ocorrências no litoral paraibano, das quais 52 resultaram em capturas e 12 avistamentos em João Pessoa, Pitimbu, Conde, Cabedelo e Baía da Traição. As operações de busca ativa e captura são realizadas desde 2023 por mergulhadores especializados, inclusive em unidades de conservação estaduais

Pontal do Peba, Piaçabuçu, em agosto: pesquisadores da Universidade Federal de Alagoas encontraram dois exemplares pequenos.

Abrolhos: primeira observação em junho Porto Seguro: pescadores entregaram 966 exemplares à Colônia de Pescadores Z-22, no programa da prefeitura que paga R$10 por animal capturado. Foram 442 em agosto e 524 em setembro. Parte dos exemplares foi encaminhada à Universidade Federal do Sul da Bahia para pesquisas. Porto da Barra, Salvador: pescadores capturaram pelo menos dois exemplares, em setembro. Praia do Cristo, Ilhéus: um pescador capturou um exemplar, há 10 dias.

Foram realizadas 27 ações de captura, alcançando 391 exemplares da espécie, em programa realizado em parceria entre o governo de Pernambuco e o ICMBio, com presença de mergulhadores profissionais

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