A maioria dos casos aos quais a Folha teve acesso é de filhos de apoiadores de Bolsonaro direcionando ofensas, ameaças e xingamentos a estudantes filhos de defensores do candidato petista, que se reelegeu.
Mas também há reclamações do lado oposto, como a de um estudante de 16 anos do Centro Educacional 6 do Gama, no Distrito Federal . Ele afirmou nas redes sociais ter sofrido perseguição na escola após o primeiro turno da eleição por apoiar Flávio Bolsonaro e precisou mudar de unidade de ensino.
Na ocasião, a governadora Celina Leão ( PP ) pediu à Secretaria de Estado de Educação que apurasse a denúncia. A deputada distrital eleita Estéfane Sampaio ( Republicanos ) foi à escola pedir a transferência do aluno. A atuação dela gerou um embate com o deputado distrital Gabriel Magno (PT), que criticou a abordagem à direção e aos professores.
Procurada, a secretaria afirmou que a Polícia Civil investiga o caso e que foi aberto um procedimento administrativo para apurar os fatos e eventuais responsabilidades.
Nesta semana, em Foz do Iguaçu (PR), um estudante de 12 anos teria sido cercado e chamado de "petista nojento", segundo relato da mãe no Instagram .
"É profundamente revoltante e doloroso testemunhar até onde o extremismo e a intolerância chegaram no nosso país. Quando o ódio político ultrapassa a esfera do debate e passa a violentar psicologicamente crianças no ambiente escolar, fica claro que perdemos todos os parâmetros de humanidade e convivência democrática", desabafou a mãe.
Em um comentário à postagem, outra mãe disse ter sido perguntada pela filha de seis anos: "Mamãe, por que querem matar o Lula?". Ela questionou de onde a filha tinha tirado aquilo e a resposta foi: "Meu amigo disse que vai pegar o Lula e enfiar uma faca nele".