A proposta é levar esse cuidado para além das ações realizadas em datas comemorativas. Formações, oficinas e momentos de escuta estão entre as práticas defendidas para ajudar os docentes a enfrentar os desafios cotidianos , sem deixar toda a responsabilidade pelo bem-estar nas mãos de cada profissional.
A atenção também se volta para diretores e coordenadores, que podem contribuir para relações de trabalho mais saudáveis. Para Luciana Patrocínio , diretora de soluções complementares na Cogna Educação, reconhecer os limites dos professores e ajudá-los a desenvolver habilidades emocionais deve fazer parte da cultura escolar.
A discussão acompanha uma preocupação internacional. Dados divulgados pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), em outubro de 2026, indicam que professores que se sentem valorizados apresentam menor probabilidade de considerar deixar a profissão .
Entre preparar aulas, corrigir atividades e acompanhar o desenvolvimento dos alunos, os educadores precisam conciliar diferentes responsabilidades. Nesse cenário, ter com quem compartilhar dificuldades e encontrar apoio dentro da própria escola é uma das necessidades apontadas por especialistas.
Segundo Luciana, em nota para o Boa Notícia Brasi l, o cuidado emocional deve envolver toda a comunidade escolar, especialmente as lideranças. A especialista defende atividades que aproximem os conhecimentos socioemocionais das situações vividas pelos professores, além de oportunidades para trocar experiências e discutir desafios comuns.
Mas acolher não significa apenas ensinar técnicas para lidar com o estresse. A Unesco também destaca a importância de melhores condições de trabalho , da participação dos docentes nas decisões escolares e da redução de tarefas desnecessárias. São fatores que ajudam a compreender por que o bem-estar dos professores não depende exclusivamente de esforços individuais.
Uma das propostas voltadas ao desenvolvimento socioemocional nas escolas é o programa Líder em Mim , que trabalha habilidades como autoconhecimento, organização pessoal e construção de relações saudáveis.
Inspirada na obra Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes , de Stephen R. Covey, a metodologia inclui a formação de educadores e incentiva reflexões sobre atitudes, potencialidades e maneiras de enfrentar situações do cotidiano.
Para Luciana, esse aprendizado pode contribuir tanto para a vida profissional quanto para as relações pessoais dos docentes. Entretanto, o material apresentado não traz resultados independentes que comprovem redução de problemas de saúde mental ou afastamentos entre os participantes.
O desafio para as escola s é transformar essas recomendações em cuidados contínuos. Na prática, fortalecer a saúde emocional dos professores significa criar oportunidades reais de escuta, oferecer suporte diante das dificuldades e reconhecer que quem dedica a vida a ensinar também precisa encontrar apoio no ambiente em que trabalha.