Deputados de oposição entram com pedido para saída do presidente paraguaio, que foi investidor da holding do banco
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São Paulo As denúncias de fraude envolvendo o ueno bank, no Paraguai , levaram à prisão de oito pessoas ligadas à instituição financeira, protestos em frente às agências bancárias e o anúncio de fechamento do banco, que é grafado com letras minúsculas, e do início do processo de recuperação judicial.
Os desdrobramentos ocorreram no dia seguinte ao anúncio da renúncia do presidente do Banco Central do Paraguai, Carlos Carvallo , nomeado ao cargo pelo presidente paraguaio, Santiago Peña, que foi investidor da holding do ueno bank até março de 2025 .
Os deputados de oposição ao governo também começaram a coletar assinaturas para entrada do pedido de impeachment de Peña por suposta responsabilidade no desvio de verbas públicas para o Ueno Bank, de acordo com informações ao jornal ABC Color.
Carvallo e o Banco Central estão sob pressão pela forma como supervisionaram o banco e por seus laços políticos. De acordo com o Financial Times, Carvallo havia dito anteriormente que se declararia impedido de participar de decisões envolvendo o Ueno.
O Banco Central garantirá depósitos de até o equivalente a cerca de US$ 38 mil (R$ 208,48 mil) por cliente, e afirmou que os problemas do Ueno são "um caso isolado" e "não representativo de condições generalizadas no sistema financeiro do Paraguai".
A Procuradoria do Paraguai pediu nessa terça-feira (3) a abertura de uma investigação criminal sobre os fatos envolvendo o banco.
Fundado como fintech em 2021, o Ueno obteve rapidamente uma licença bancária e afirmava ter conquistado mais de 60% dos adultos paraguaios como clientes, mais que qualquer outro banco. Abriu dezenas de agências luxuosas e fez uma campanha de marketing onipresente, que incluiu o patrocínio da seleção nacional de futebol.
Controlado majoritariamente pelo Grupo Vázquez, o banco tem cerca de 3 milhões de clientes. Cresceu de uma fintech local de nicho para um banco de médio porte, em trajetória semelhante à de fintechs como Monzo e Nubank.
O governo de Peña também supervisionou um aumento do dinheiro público depositado no Ueno, que chegou a mais de US$ 850 milhões (R$ 4,66 bilhões), equivalente a quase um terço dos depósitos do banco. O presidente havia minimizado repetidamente as preocupações com o banco.
Nos últimos meses, o Ueno enfrentou o escrutínio de reguladores e da imprensa por supostos empréstimos excessivos a empresas ligadas ao Grupo Vázquez, o que preocupou investidores e pesou sobre os títulos do banco com vencimento em 2031 e sobre os títulos soberanos do Paraguai.
Segundo o Financial Times, o banco realizou em março a maior emissão de títulos corporativos da história do país, mas as ações caíram bruscamente desde então. No mês passado, a agência Fitch revisou para negativa a perspectiva da nota de crédito de longo prazo do Ueno, citando "crescimento acelerado do balanço e altos ativos intangíveis".
O caso testa a reputação que ajudou o Paraguai a se tornar um dos destinos emergentes da América do Sul para capital estrangeiro, grande parte dele do Brasil. De acordo com o Financial Times, embora a economia do país tenha crescido rapidamente e obtido grau de investimento nos últimos anos, críticos afirmam que a corrupção e a influência política sobre o Judiciário e o mundo empresarial continuam a complicar as operações.
O gabinete de Peña e o Ueno Bank não responderam aos pedidos de resposta do Financial Times.