Essa é uma das primeiras medidas a serem colocadas à disposição do petista, cujo desafio é recuperar a credibilidade junto ao mercado financeiro após um terceiro mandato marcado por aumento de gastos e piora da trajetória fiscal do país .
O envio formal da PEC ainda vai depender da decisão de Lula e também da composição do novo governo —sobretudo quem ficará à frente das pastas que tratam dos temas econômicos, como Fazenda, Planejamento e Casa Civil .
Na expectativa de reverter a desconfiança do mercado, nutrida por promessas de campanha, Lula considera levar o atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo , ao comando da equipe econômica.
Também estão no páreo o atual titular da Fazenda, Dario Durigan, e os senadores Camilo Santana (PT-CE) e Renan Filho ( MDB -AL). Há ainda especulações em torno do governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT).
Os atuais auxiliares de Lula na economia já elaboraram um cardápio de iniciativas para deliberação do petista nas próximas semanas.
Além da proposta para seguir o centro da meta, o objetivo da equipe é ampliar um pouco o superávit de R$ 18,6 bilhões previsto na proposta orçamentária de 2027 , mas como isso seria alcançado ainda é mantido sob reserva. O superávit primário é o saldo entre receitas e despesas, sem considerar o serviço da dívida pública.
Outras medidas no radar da equipe incluem a revisão de gastos obrigatórios, o envio das alíquotas dos novos tributos sobre o consumo criados pela reforma tributária, a desaceleração do crédito subsidiado e um projeto para acabar com os penduricalhos nos salários de servidores, sobretudo no Judiciário.
Durante a campanha, Lula fez promessas que vão na direção contrária do equilíbrio das contas, com ampliação de gastos e renúncias fiscais. Na lista, figuram o perdão de dívidas a microempreendedores , o Pix de R$ 5.000 para MEIs , a ampliação do teto de faturamento para se enquadrar na modalidade, o reajuste do Bolsa Família , a tarifa zero no transporte público urbano e a compra de dívidas antigas de pessoas físicas .
Segundo um integrante da equipe econômica, o Executivo vai acomodar esses gastos no Orçamento de 2027, buscando também ampliar um pouco o superávit efetivo das contas, para tentar sinalizar compromisso com o equilíbrio fiscal do país.
Também há o entendimento de que, no novo mandato, será preciso desacelerar a concessão de crédito subsidiado, sem renovar linhas como a Move Brasil , lançada em ano eleitoral para financiar a aquisição de veículos (no caso de motoristas de aplicativo e taxistas) e motos (para os entregadores).
O crédito subsidiado cresceu no terceiro mandato de Lula , em um movimento criticado por especialistas . Além disso, os analistas veem no expediente uma forma de driblar restrições fiscais, já que esses repasses são uma despesa financeira, fora do limite de gastos do arcabouço fiscal e do resultado primário, as duas regras que disciplinam as contas públicas .