Ao se afastar do lirismo regional do início da carreira, encara um desafio arriscado: uma autoficção metateatral sobre bloqueio artístico, ansiedade contemporânea e a mercantilização da imaginação. O êxito dessa virada está na combinação entre a densidade da escrita, a precisão despojada da encenação e o virtuosismo do septeto que ele escala e conduz no palco.
Como dramaturgo e letrista, Rocha domina a prosódia e a síntese poética, equilibrando humor cáustico e gravidade sem clichês. Mas é na encenação que sua visão ganha força. Em vez do gigantismo vazio das produções convencionais, ele aposta na força da página em branco.