Entenda a polêmica sobre a frota de ônibus durante o segundo turno em São Paulo

Enquanto passageiros relatavam dificuldade para chegar aos locais de votação por falta de ônibus nos pontos e terminais de São Paulo neste domingo (25), dia do segundo turno das eleições presidenciais, a prefeitura afirmou que a oferta de t

Por Admin ·

Entenda a polêmica sobre a frota de ônibus durante o segundo turno em São Paulo

A falta de transporte público , relatada principalmente em São Paulo e Salvador, levou o ministro Cristiano Zanin, do STF (Supremo Tribunal Federal), a estender o horário de votação até as 19h em todo o país. Posteriormente, a determinação ficou restrita às seções eleitorais que ainda estavam abertas .

Na capital, a discussão sobre o tamanho da frota disponibilizada começou na sexta-feira (23), durante uma reunião do Conselho Municipal de Trânsito e Transporte. Alguns conselheiros defenderam que a prefeitura colocasse nas ruas o número de ônibus habitual dos dias úteis —pouco mais de 12 mil veículos segundo informado no fim do ano passado à Câmara Municipal pela SPTrans, estatal que gerencia o sistema de ônibus na capital.

A gestão Ricardo Nunes ( MDB ), porém, sustentou que a frota prevista para os sábados, equivalente a cerca de 40% do total, seria suficiente para atender à demanda.

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Ainda na sexta, a Justiça Eleitoral determinou que a prefeitura colocasse em circulação neste domingo 100% da frota operacional prevista para os dias úteis . O número total de ônibus à disposição na cidade, com a margem de reserva, é de cerca de 13,7 mil coletivos.

A decisão judicial foi tomada em ação popular apresentada por parlamentares do PSOL e estabeleceu multa de R$ 100 mil ao prefeito Ricardo Nunes (MDB) e ao presidente da SPTrans, Victor Hugo Borges, em caso de descumprimento.

A prefeitura afirmou ter sido notificada pelo TRE-SP (Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo) às 13h10 de sábado (24). Segundo a gestão municipal, a determinação foi encaminhada às concessionárias pouco depois. A SPTrans alegou que o prazo inferior a 12 horas dificultou a reorganização das escalas dos motoristas e das jornadas de trabalho.

Durante a votação, o PT de São Paulo afirmou que apenas 60% da frota prevista estava em circulação e denunciou dificuldades para os eleitores chegarem aos locais de votação.

A Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PC do B e PV, pediu a prisão em flagrante do secretário municipal de Mobilidade Urbana e Transporte, Celso Jorge Caldeira, e do preside nte da SPTrans, Victor Hugo Borges.

O juiz eleitoral negou o pedido, por entender que não havia elementos concretos de flagrante delito e que a eventual caracterização de crime exigia provas além das apresentadas pela federação.

Questionada, a prefeitura não informou até a publicação deste texto quantos ônibus circularam neste domingo.

Anteriormente, a administração municipal havia dito que o planejamento previa 6.900 ônibus em circulação, aumento de 40% em relação aos domingos habituais.

Em nota divulgada no início da noite, no entanto, a prefeitura afirmou que disponibilizou 8 milhões de lugares em ônibus municipais tanto no primeiro quanto no segundo turno, conforme programação informada previamente a órgãos técnicos e à Justiça Eleitoral.

Segundo a administração municipal, a SPTrans registrou 3,4 milhões de passageiros no primeiro turno, volume 57,5% inferior à capacidade ofertada. A prefeitura não apresentou, porém, dados de passageiros transportados durante o horário da eleição de segundo turno.

"Tivemos muitos ônibus, tanto que tivemos mais que a demanda", afirmou Nunes à Folha . "No primeiro turno já tínhamos colocado 40% a mais e atendeu a demanda e hoje [domingo] número foi muito maior", disse, sem informar o total de coletivos.

De acordo com empresas concessionárias, a determinação da Justiça Eleitoral foi cumprida, mas nem todos os motoristas convocados compareceram às garagens.